ProfJam é o nome artístico de Mário Cotrim, lisboeta de 27 anos, que lançou o seu primeiro disco, "#FFFFFF", no final de fevereiro. Os primeiros concertos de apresentação do álbum foram no Porto, no Hard Club, em meados de março, e esta semana, dia 5 de abril, o jovem sobe ao palco do Capitólio, em Lisboa.

Antes de apresentar o seu primeiro álbum pela primeira vez, o SAPO Mag acompanhou a viagem do músico até ao Porto.

15 de março, uma da tarde, em Lisboa. Poucos minutos depois da hora marcada, está tudo pronto para a viagem arrancar: o destino é o Hard Club, no Porto. É na sala da cidade Invicta que ProfJam vai apresentar pela primeira vez ao vivo o seu primeiro disco, "#FFFFFF". "O título é código hexadecimal do branco no mundo digital", explica o músico ao SAPO Mag durante a viagem, acrescentando que o nome foi escolhido depois de terem sido debatidas algumas ideias.

Duas carrinhas arrancaram do centro de Lisboa à mesma hora. ProfJam e o seus colegas de estrada e da música alinham parar apenas na primeira área de serviço, em Aveiras, para comprar águas e alguns snacks para a viagem. Não há muito tempo a perder, a meio da tarde está marcado um encontro com alguns fãs no Hard Club.

No início da viagem, o músico recorda como tudo começou: foi com 16 ou 17 anos que ProfJam mostrou a sua primeira canção aos amigos, mas a música sempre fez parte da sua vida. "A música entrou na minha vida desde puto. A minha mãe diz que eu me abanava quando era puto, que gostava de dançar. A parte de escrever... sempre gostei de poesia. Depois a minha irmã começou a mostrar-se música dos Estados Unidos e descobri o rap", resume Mário Cotrim. "Em puto cantava coisas do Pedro Abrunhosa e dos Black Company. Eram esse tipo de cenas que cantava em português", acrescenta.

ProfJam
créditos: TIAGO DAVID

"Depois comecei a descobrir mais, especialmente com a internet. Antes da internet, ia a lojas de discos ouvir as amostras. Depois com a era do streaming e do download, tudo mudou e ficou mais fácil", lembra.

Em conversa com o SAPO Mag, ProfJam conta que mostrou a sua primeira música um dia depois de a ter gravado. "Cheguei a casa, tinha a tarde livre, comecei a navegar na internet e descobri um bacano que conhecia - que conhecia só de nome do secundário- e que tinha uma música. Pensei, 'ai é? Isto não é só para o outro pessoal'. Fui investigar como se podia fazer, comprei um microfone daqueles dos chineses e gravei. No dia a seguir, mostrei o que tinha feito... foi a primeira vez", recorda.

"A reação foi bacana. Diziam aquelas cenas de pareces o Valete ou o Sam. Eu reconhecia que sim, mas na altura eram as únicas referências que as pessoas tinham", acrescenta.

ProfJam
créditos: TIAGO DAVID

Ao longo de vários anos, Profjam foi um autodidacta.  Mas depois do secundário, foi estudar para Londres  produção musical. "Fui mais pela minha família, que queria que eu estudasse. Então, fui para Londres estudar. Mas além da necessidade, foi um empurrão. O que aprendi foi toda a linguagem à volta da produção... falamos todos a mesma língua", frisa.

"A vivência em Londres também me fez bem. Toda a experiência de estar fora da zona de conforto serviu para reconstruir um bocado a minha cabeça", confessa.

A viagem já vai a meio, tal como a conversa sobre a carreira. "Estamos dentro do tempo?", pergunta ProfJam. A reposta do colega é afirmativa - os fãs não vão ter de ficar à espera.

ProfJam
créditos: TIAGO DAVID

Ao som da rádio Amália - "ouvimos às vezes porque serve para descobrir sons" -, chega o momento de conversar sobre o primeiro disco, "#FFFFFF". "O maior desafio está a ser agora. Acho que as coisas parecem sempre mais graves quando as estamos a viver... mas este álbum, para mim, está a ser o maior desafio", confessa.

"O tema 'Água de Coco' foi o ponto de partida do disco. Depois comecei a abrir música a música. Comecei a juntar as peças e inicialmente estava a pensar num EP", conta.

Para ProfJam, o disco é quase como um resumo de tudo o que tem feito. "É aquilo que sou neste momento", frisa.

PROFJAM

Pouco depois das 16h30, a chegada ao destino. Ao sair da carrinha, ProfJam é imediatamente reconhecido por um grupo de jovens, que aproveitou a tarde para visitar o Porto. À noite, o Hard Club vai contar com mais umas centenas de seguidores do músico.

"Percebi que podia viver da música quando percebi que podia dedicar-me a isto a tempo inteiro. Fiz isto por necessidade interior e não por sustento. Quem faz por gosto, não cansa. Fiz 27 anos, editei o meu primeiro disco... está tudo a acontecer", remata.

O primeiro concerto de apresentação no Hard Club, na noite de 15 de março, foi mais uma prova do sucesso de ProfJam. No dia seguinte, o músico voltou a encher a sala da cidade Invicta. Na próxima sexta-feira, dia 5 de abril, o músico sobe ao palco do Capitólio, em Lisboa, e a festa vai repetir-se, promete.

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