Memórias de um menino que foi menino para sempre é o subtítulo da biografia, editada a título póstumo, três meses depois da morte do ator.

O livro é apresentado pelos atores Custódia Gallego e Paulo Oom e por Rodrigo Ricardo, hoje à tarde, no bar de A Barraca, onde João Ricardo se estreou como profissional, em 1990.

Nascido em Lisboa, em 1964, João Ricardo almejou ser artista aos nove anos quando, com a avó Joana, assistiu, pela primeira vez, a um espetáculo de circo.

“O meu sonho – um plano, a meu ver, à prova de falhanço – não foi propriamente bem recebido em casa”, escreve o ator, recordando o momento em que deu conta da sua vontade ao pai.

A relação distante que durante anos manteve com ele – “um homem essencialmente prático, com uma enorme fé no trabalho e na disciplina”, que o aconselhara a estudar para “um dia poder ganhar dinheiro – e que o levou a sair de casa aos 16 anos são também tema do livro.

Os tempos em que sobreviveu na rua com o trabalho de mimo são recordados por João Ricardo no livro que escreveu já depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro no cérebro.

Sem que alguma vez se tenha considerado um grande ator - “talvez por alguma insegurança” ou talvez pela “enorme admiração” que tinha pelos grandes atores -, João Ricardo fez porém teatro, televisão, rádio, cinema e circo.

No livro fala do Teatro de Carnide, onde deu os primeiros passos como amador, da peça “Tric trac terra doce, amargo sabor”, com que se estreou na encenação, em 1987, e na estreia, como profissional, na sala de A Barraca, em 1990.

A primeira participação de João Ricardo na televisão remonta a 1989 quando, na RTP, participou na série “Caixa Alta”.

O ator passou também pela TVI, mas foi na SIC, para onde entrou em 2010, que atingiu maior notoriedade - a série “Laços de Sangue”, em que desempenhou o papel de Armando Coutinho, deu a João Ricardo a possibilidade de chegar a casa de muitos portugueses, tornando-o conhecido. Inicialmente, porém, João Ricardo tentou recusar a personagem, por a considerar muito parecida outras que já desempenhara.

No livro, João Ricardo não esconde a grande paixão e o grande amor que pelo filho, confessando mesmo existir um João Ricardo “antes” e “outro depois” do nascimento de Rodrigo.

Do menino apaixonado pelo circo ao homem que nunca deixou de ser menino, João Ricardo termina o livro a louvar “o maior espetáculo do mundo: a vida”. Um palco onde “damos tudo de nós, sem rede até a última gargalhada se transformar em pó de estrelas”.

João Ricardo, nascido em maio de 1964, morreu a 23 de novembro de 2017, vítima de cancro no cérebro.

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