No despacho, publicado em Diário da República, que dá conta da nomeação da diretora do Camões – Centro Cultural Português em Berlim para esta função, lê-se a necessidade da escolha de um perfil que una o “conhecimento da língua e da cultura alemãs e do meio editorial dos dois países à experiência na organização de participações em feiras internacionais do livro, bem como em programação e gestão culturais”.

A pandemia de COVID-19 obrigou ao cancelamento da edição deste ano e vai condicionar a próxima, garantiu à agência Lusa Patrícia Severino.

“A preparação da participação, organizada por um grupo de trabalho interministerial, terá, necessariamente, atendendo às circunstâncias atuais, um enquadramento diferente daquele em que nos movimentámos até este ano, em que a Feira do Livro de Leipzig foi cancelada”, revelou a comissária numa nota enviada à Lusa.

“Isto é importante para a forma como vamos pensar e estruturar a nossa presença”, destacou.

O convite para que Portugal participasse como país convidado de honra na próxima edição, prevista para março de 2021, foi dirigido pela entidade organizadora da feira de Leipzig em 2017. Esta é a segunda maior feira do livro da Alemanha, depois da de Frankfurt, e uma das mais importantes na Europa.

Outro fator relevante, realçou a diretora do Camões Berlim, prende-se com o facto de, na Alemanha, em 2018, o comércio livreiro ter movimentado cerca de 9,13 mil milhões de euros e existirem aproximadamente 70 mil novos títulos publicados por ano, mantendo-se a “diversidade da cultura literária, o que não é evidente num mundo editorial que trabalha numa perspetiva global”.

Segundo o despacho hoje publicado, a participação de Portugal como convidado de honra representa, “mais uma oportunidade de relevo para a internacionalização da língua portuguesa e da cultura [portuguesa], num evento com elevada notoriedade e reconhecimento internacional”.

Ana Patrícia Severino foi uma das responsáveis por levar, desde 2016, vários autores de língua portuguesa à Feira Internacional do Livro de Leipzig, entre eles Hélia Correia, João Tordo, David Machado, Alexandra Lucas Coelho, Raquel Nobre Guerra, Afonso Cruz, Ana Margarida de Carvalho, Joana Bértholo, Lucílio Manjate e José Eduardo Agualusa.

No ano passado, Portugal integrou no certame com dez autores, quase 400 títulos disponíveis e uma área de 48 metros quadrados, numa estratégia conjunta de várias entidades nacionais.

Na primeira participação, em 2016, Portugal ocupou uma área de 18m2, levando quatro autores, crescendo em 2019 para 48m2 e dez autores.

O objetivo, revelava à Lusa Patrícia Severino no ano passado, é “dar um panorama geral daquilo que é a literatura de hoje em dia em Portugal, mas também um pouco daquilo que foi a literatura portuguesa ao longo da sua história.”

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