A peça é uma viagem interior pelas emoções do jovem Werther, a personagem central da obra homónima escrita, em 1774, por Goethe (1749-1832), escritor alemão do Romantismo, e que marca o início deste movimento artístico na literatura, disse à agência Lusa João Neca, de O Bando.

Autor da dramaturgia e coautor da encenação, juntamente com Manuela Sampaio, daquele grupo de teatro comunitário, João Neca é um dos atores de O Bando que faz a ligação entre a companhia profissional dirigida por João Brites e algumas oficinas ministradas para a comunidade Teatro dos Barris, com sede em Vale dos Barris, Palmela.

Dez atores amadores, formados na “Confraria do Teatro", uma das oficinas de teatro ministradas por O Bando, interpretam “Amor-te”, a sexta criação deste grupo comunitário de teatro, que este ano se constituiu como associação e recebeu um subsídio de 750 euros da autarquia de Palmela.

Para João Neca, “Amor-te” representa ainda "um marco importante e uma vitória" na vida deste grupo constituído por dez pessoas, com idades compreendidas entre os 18 e os 60 anos, já que é a primeira vez que um elemento do grupo, Manuela Sampaio, é coautor da dramaturgia.

A maior parte dos elementos que compõem o Teatro dos Barris são pais ou outros familiares de crianças e jovens que frequentavam a oficina “Confraria do Teatro” e que os esperavam, no final do ateliê.

Pouco a pouco, também quiseram frequentar a iniciativa e, ao fim de oito ou nove anos, fartos de fazerem os mesmos exercícios, quiseram fazer um espetáculo, frisou João Neca.

"A procura do amor carnal, do platónico, do desviado, do desviante, do dançado, do árido, do frutífero, do voluptuoso, do incompreendido, do não correspondido, do inaceitável, do politicamente correto, do desejável, do 'quanto basta', do demasiado, do insuficiente” são algumas das interrogações levantadas na peça, disse o responsável à Lusa.

"Amor-te" - acrescentou - procura também “quem matou por amor, quem sofreu por amor, quem amou por amor, quem comprou por amor e a quem o amor comprou”.

Mergulhados na cabeça do jovem Werther, os nove elementos do grupo que interpretam a peça vão “escutar os sons de quem cantou o amor, de quem o imortalizou em refrões, de quem o coloriu em vídeos e em figurinos, de quem os apaixonou e, porque apaixonado, fez da paixão, arte e do amor, morte”, lê-se na apresentação da peça.

"Também passei pelo teatro amador e, às vezes, os profissionais de teatro perdem a beleza essencial de quem passa um dia inteiro no trabalho e à noite vem fazer estas 'maluqueiras', sem ter medo do ridículo e sem perder a beleza da essência das coisas", sublinhou João Neca à Lusa, a propósito do trabalho do Teatro dos Barris.

A interpretar “Amor-te” estão Ana Correia, Ana Penas, Carmo Franco, Cristina Sampaio, Edgar Costa, Sara Baptista e Tiago Sousa, com participação especial de Filipe Freire e Gonçalo Freire (dois irmãos que “andavam em viagem e foram resgatados”) e de Gil Sidaway.

O grupo de Teatro dos Barris estreou-se em 2014, com “Carne”, espectáculo a partir de José Eduardo Agualusa dirigido por Miguel Jesus. Em 2015, apresentou “Criaturas”, a partir de Dulce Maria Cardoso, dirigida por João Neca. Em 2016, levou à cena “Credo”, numa encenação de Guilherme Noronha, a partir dos documentos históricos da ida da corte portuguesa para o Brasil em 1807.

“Contratempo”, espectáculo dirigido em 2017 por Juliana Pinho, construído a partir de “Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa, e “Pássaros”, uma encenação de Guilherme Noronha sobre a capacidade de voo como metáfora sobre os limites do ser humano, estreada em 2018, são as outras criações do Teatro dos Barris.

“Amor-te”, uma coprodução de O Bando, teve estreia às 21:00 de sexta-feira, e novas representações este sábado, à mesma hora, e, no domingo, às 17:00.

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