“O que falta” para chegar à inclusão e acessibilidade no mundo editorial foi a questão colocada na sexta-feira, numa das mesas do Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos, a representantes de editoras da Polónia, Eslovénia, Lituânia e Espanha.

Na resposta das editoras ficou claro, antes de mais, aquilo que não falta: “vontade de fazer esse caminho”, reconhecido por todas como uma necessidade de para tornar a leitura mais inclusiva quer ao nível dos temas, quer da linguagem.

“É preciso trazer os tópicos mais polémicos para a debate público, através dos livros”, defenderam as oradoras, lembrando que a publicação de obras tem que ser mais inclusiva relativamente às mulheres, à comunidade LGBT, às áreas rurais ou às minorias.

O caminho para lá chegar, porém, é ainda longo em países como a Eslovénia ou a Lituânia, “ainda há poucos anos o debate não era sobre literatura inclusiva, mas entre literatura em democracia ou literatura em ditadura”.

Em todo os países participantes, as editoras reconheceram dificuldades na utilização de idioma sem género, “uma nova realidade” que, por um lado, ainda “não se sabe bem como aplicar” e, por outro, “ainda exige coragem” na decisão editorial.

Até porque, para lá chegar, em países como a Polónia, é ainda preciso resolver problemas como “as 'crianças-rapazes' não terem um exemplo de leitura, porque os homens, não leem”, afirmou a editora da Tararak Publish House, adiantando que está a ser desenvolvido um projeto para criar hábitos de leitura nos mais novos.

Independentemente das dificuldades, as editoras reconhecem a responsabilidade de tornar o livro não só mais inclusivo, mas também mais acessível, quer entre as sociedades com menores recursos financeiros, quer entre grupos populacionais como os invisuais ou pessoas com problemas de visão.

O debate, integrado no programa do Folio, foi uma iniciativa da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal e do Centro de Informação Europa Criativa, em parceria com a Creative Europe Desks da Polónia, Eslovénia, Lituânia e Espanha.

O Folio - Festival Literário Internacional decorre em Óbidos, no distrito de Leiria, até ao dia 22, e tem um programa que integra 14 mesas de autores, 108 conversas e tertúlias, 40 apresentações e lançamentos de livros, 40 espetáculos e concertos, 21 exposições e 18 sessões de leitura e poesia na vila.

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