Intitulado "100 Papas na Língua", o livro da escritora Lurdes Breda e da ilustradora Tânia Clímaco, residente em Torres Vedras, inclui precisamente uma centena de contos originais "escritos propositadamente" para a obra editada pela Escola Portuguesa de Moçambique - Centro de Ensino e Língua Portuguesa e Camões - Centro Cultural de Maputo.

"Baseiam-se, tal como indica o título da obra, em cem expressões idiomáticas da língua portuguesa, o que lhes confere características muitos peculiares, desde logo, o humor, que é uma constante em todo o livro, devido às situações inverosímeis e caricaturadas aí descritas", disse à agência Lusa Lurdes Breda.

A autora acrescentou que as 100 histórias estão divididas pelas 120 páginas do livro, todas subordinadas a uma expressão idiomática.

"Estas constituem um importante legado coletivo na preservação da nossa identidade cultural, sobretudo ao nível da língua portuguesa e da sua riqueza. Ao longo de todo o livro encontram-se apenas seis ilustrações, pois ilustrar os cem contos seria exagerado", frisou Lurdes Breda, aludindo igualmente aos prazos de edição.

A obra inclui diversas personagens, desde Dom Cornélio Procópio a Zé Concho Taberneiro, passando por Frei Saul Pia-Fino, Belmira Papo-Seco, Nicolau Pica-Miolos, Dona Preciosa da Purificação, Zezito Papa-Léguas ou Godofredo Boa-Vai-Ela, entre muitos outros, "todos a ‘botar faladura' e sem papas na língua", argumentou.

"Por certo, os próprios leitores irão descobrir todas as histórias com um sorriso nos lábios", enfatizou a escritora.

Lurdes Breda acrescentou que "100 Papas na Língua" estará à venda quer em Portugal, quer em Moçambique: "Está previsto que, nos próximos dias fique disponível para compra ‘online' no site da livraria Snob, em Lisboa, que é quem representa e distribui [em Portugal] as obras editadas pela Escola Portuguesa de Moçambique - Centro de Ensino e Língua Portuguesa", anunciou.

Em Moçambique, "assim que houver condições", o livro será vendido no Centro Cultural de Maputo, adiantou.

Natural do concelho de Montemor-o-Velho, Lurdes Breda é autora de 26 obras e coautora de outras 11, editadas em Portugal, no Brasil e em Moçambique. É conhecida, sobretudo, como escritora de livros para crianças e jovens. Já Tânia Clímaco, professora de Expressão Artística e dinamizadora de oficinas de ilustração, publica trabalhos desde 2009 e define-se como uma "pessoa itinerante, deambulante, passeante, viajante e andarilha", que "desarruma lápis, tintas e pincéis desde sempre".

Na nota que acompanha a divulgação do livro, Lurdes Breda lembra que a UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura ratificou, em 25 de novembro de 2019, em Paris, o dia 05 de maio como o Dia Mundial da Língua Portuguesa, que se celebra, este ano, pela primeira vez.

"A ratificação desta data é de vital importância para o reconhecimento da língua portuguesa, falada oficialmente em nove países, quatro continentes e a quinta mais utilizada no espaço da Internet. É, ainda, a língua oficial de 260 milhões de pessoas e mais falada no hemisfério sul", assinala.

"Apesar da pandemia [de COVID-19] que se vive, não quisemos deixar de assinalar o dia 05 de maio de 2020, como sendo oficialmente o primeiro ano em que se celebra o Dia Mundial da Língua Portuguesa, não só pela importância desta língua no mundo, mas também pela sua resiliência ao longo dos séculos e pela esperança renovada que, sobretudo, agora, nos traz", refere a escritora.

Com prefácio do escritor Afonso Reis Cabral, "100 Papas na Língua" contou com a colaboração e apoio institucional, entre outros, da embaixadora de Portugal em Moçambique, Maria Amélia Paiva e do conselheiro cultural da mesma embaixada, João Pignatelli, Dina Trigo de Mira, diretora da Escola Portuguesa de Moçambique e Teresa Noronha, editora responsável na mesma instituição.

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