Keith Flint, vocalista dos Prodigy, morreu esta segunda-feira, dia 4 de março, aos 49 anos. O cantor foi encontrado morto na sua casa. Na rede social da banda, Liam Howlett revelou que o músico pôs fim à sua própria vida.

"As notícias são verdadeiras. Não acredito que estou a dizer isto, mas o nosso irmão Keith pôs fim à própria vida durante o fim de semana. Estou chocado, zangado, confuso e de coração partido", escreveu o músico no Instagram.

Em comunicado, a banda confirmou a notícia "com choque e uma profunda tristeza". "Era um verdadeiro pioneiro, inovador e uma lenda (...) Nunca será esquecido”, escreveram os ingleses nas redes sociais.

O artista foi encontrado pelas autoridades depois de um alerta esta manhã. De acordo com a imprensa local, a polícia de Essex, Inglaterra, confirmou que o músico foi dado como morto e que o caso não está a ser tratado como crime. As causas da morte ainda não são conhecidas.

"Fomos chamados por receio do bem estar de um indivíduo numa morada esta segunda-feira de manhã (...) Infelizmente encontrámos um homem de 49 anos que foi declarado morto no local. A morte não está a ser tratada como suspeita e um documento está a ser preparado pelo médico legisla", disse o porta-voz da polícia.

Os Prodigy atuaram pela última vez em Portugal a 26 de maio de 2018, no North Music Festival. A banda britânica foi cabeça de cartaz do segundo dia do festival que se realiza na Alfândega do Porto - recorde aqui um excerto do concerto.

Os Prodigy, responsáveis pelos hits "Firestarter", "Breathe" ou "Smack My Bitch Up", apresentaram no evento o sétimo disco de estúdio.

As reações

Depois de confirmada a notícia da morte do músico, fãs começaram a fazer homenagens a Keith Flint nas redes sociais.

Através das redes sociais, Ed Simons, dos Chemical Brothers, também relembrou o colega. Para o músico, Keith Flint era "um grande homem".

Angela Rayner, secretária de Educação, também homenageou o músico. 

O jornal The Guardian também relembra o músico: "Com a sua estética punk, de cabelo espetado, e olhar intenso, Flint tornou-se uma das figuras musicais mais icónicas do Reino Unido nos anos 1990".

"Muito desolado por saber da morte do Keith Flint. Um dos grandes. Melhor concerto que já vi”, disse Frank Turner.

Em 2015, o grupo atuou no NOS Alive, onde apresentaram pela primeira vez em Portugal "The Day Is My Enemy", o seu último disco. Em 2013, foram considerados o projeto de música eletrónica mais influente de sempre, de acordo com um inquérito realizado a dois mil ingleses frequentadores de festivais e discotecas.

Em novembro de 2018, a banda lançou "No Tourists", o sétimo álbum de estúdio da sua carreira.

Os britânicos que marcam muitas juventudes

A banda britânica foi criada em 1990, depois de Liam Howlett, Keith Flint e Leeroy Thornhill se terem cruzado num bar na cidade de Essex. A ideia inicial era que Keith e Leeroy fossem os bailarinos.

créditos: Ana Rita Santos

O primeiro concerto do grupo aconteceu meses depois no The Labyrinth, em Londres.

Se a música de dança conheceu uma expansão considerável em meados dos anos 1990, o quarteto britânico (que entretanto se tornou um trio) não só teve uma palavra a dizer como abriu caminho para tantos outros, sendo muitas vezes imitado (sem nunca ser igualado) e diluindo a fronteira que separava as pistas de dança de outros polos musicais - processo para o qual contribuíram também nomes como os conterrâneos Chemical Brothers, Underworld ou Orbital, ou ainda os franceses Daft Punk, mesmo que, com a eventual exceção destes últimos, nenhum tenha sido tão determinante junto de um público até então alheio à eletrónica.

"Experience" (1992) e "Music for the Jilted Generation" (1994), os dois primeiros discos do coletivo liderado por Liam Howlett, não tinham passado propriamente despercebidos, mas o seu efeito, por mais mais impacto que tenha deixado (e deixou bastante, tanto a nível criativo como no culto que gerou), foi apenas residual quando comparado com o da terceira investida.

"The Fat of the Land", disco de referência quando o assunto é a colisão de rock e música de dança, é um dos mais marcantes da carreira. O terceiro disco dos britânicos marcou muitas juventudes, despertando paixões e alimentando outros tantos ódios em finais da década de 1990. Mas ao contrário do seu público de então, "The Fat of the Land", editado a 30 de junho de 1997, mantém-se um disco ferozmente adolescente, a dois ou três passos da idade adulta.

"The Fat of the Land" (1997), blockbuster colossal, distorcido e inesperado, foi o que permitiu que a popularidade dos Prodigy atravessasse o Atlântico, apresentando-os a uma nova legião de adeptos nos EUA, triunfo para o qual contribuiu uma mudança de som aliada a um repensar (tão ou mais decisivo) da imagem.

Howlett manteve-se, como sempre, nos bastidores, arquitetando canções que, além da eletrónica dançável que lhe deu fama (do techno ao breakbeat), tentaram um híbrido industrial/rock/hip-hop incisivo logo à primeira amostra: "Firestarter", portentoso single de avanço, marcou a estreia dos Prodigy no lugar cimeiro do top de singles britânico, onde se mantiveram durante três semanas.

A sonoridade, agreste como poucas vezes o grupo tinha revelado até aí, teve um acompanhamento visual igualmente incendiário no videoclip, assinado pelo britânico Walter Stern (colaborador habitual dos Prodigy ou dos Massive Attack e autor do não menos emblemático "Bittersweet Symphony", dos Verve). Filmado a preto e branco num túnel londrino, o vídeo seguiu Keith Flint, bailarino tornado vocalista alucinado que ficou, desde então, como a face mais reconhecível do grupo - dividindo, por vezes, o protagonismo com Maxim Reality, MC apesar de tudo mais discreto.

Tão marcante para a imagem da sua banda como Johnny Rotten o tinha sido, 20 anos antes, para a dos Sex Pistols (grupo a que os Prodigy foram comparados, sucedendo-o com uma iconografia mais cyberpunk), Keith Flint preparou terreno para o cenário apocalítico de "The Fat of the Land", reforçado pelo single seguinte, o também sinuoso "Breathe" (outro número um nos tops), e mais ainda pelo terceiro, "Smack My Bitch Up", de longe o mais polémico dos três.

As novidades incluídas na reedição comemorativa dos 15 anos do aniversário de "The Fat of the Land", em 2012, ajudaram a reforçar esta impressão: o disco extra, "The More Fat EP", apresentou seis remisturas inéditas (assinadas por Noisia, Alvin Risk, Zeds Dead, Baauer, The Glitch Mob e Major Lazer), quase todas assentes num misto de dubstep e electro maximal funcional, embora anónimo, que já soava datado à nascença. O update sonoro pode ter dado novo impulso ao álbum junto de uma nova geração de ouvintes - que, mesmo assim, acolheram bem o mais recente "Invaders Must Die" (2009) e The Day Is My Enemy (2015) -, mas a melhor forma de celebrarmos "The Fat of the Land" ainda é através (re)descoberta das canções originais, cuja potência continua a sobrepor-se a qualquer tentação de nostalgia.

Notícia atualizada às 14h50.

Newsletter

Fique a par de todas as novidades do SAPO Mag. Semanalmente. No seu email.

Notificações

Os temas quentes do cinema, da TV e da música estão nas notificações do SAPO Mag.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.