O segundo longa duração do projeto, que também conta com dois EP, é igualmente o primeiro desde 2013, desta feita editado por O Cão da Garagem e pela 'etiqueta' inglesa Dirty Filthy Records.

O tempo largo entre os dois discos marcou o próprio processo criativo de Luís Salgado, que lidera o projeto e explica à Lusa que, nesse período, foi "fazendo coisas que iam estando na gaveta, pequenos rascunhos do que iria ser" o novo álbum.

"Todas as gravações anteriores tinham sempre uma parte conceptual forte, eram construídas em cima de um conceito. Neste disco, foi o inverso. As coisas foram feitas pelo prazer de trabalhar o som", acrescenta.

Dessas "bases para trabalhar mais tarde" nasceu um trabalho de estúdio com João Pimenta (bateria) e José Marrucho (metais), de onde começaram a surgir os temas e, através de Pimenta, também o próprio conceito.

O baterista começou por utilizar "uns 'triggers' na bateria, para fazer com que além do som acústico também disparasse samples", e recorreu a sons de filmes antigos de kung fu, como murros e pontapés.

"O Kung Fu também veio porque já tinha na ideia que as peças tivessem dois momentos distintos, um mais introspetivo, mais calmo e [com] experimentação, e outros mais violentos, e isto bateu certo com a parte de meditação e depois de combate em si", acrescenta Luís Salgado.

O período sem editar material de estúdio "nota-se sempre", e neste a novidade é a percussão, até porque o próprio conceito do projeto é dado à mutação. "Stereoboy é isto, são dois canais, em que um deles sou sempre eu e o outro vai mudando, pode ser uma pessoa, uma banda ou uma máquina", reitera Salgado.

Aqui "já é normal as coisas mudarem", até porque não se está "preso a uma estética", e outra influência para o novo álbum, com quatro faixas longas, foi o trabalho como programador no Maus Hábitos, onde deve ter visto "uns 400 concertos por ano, e tantos discos que rodaram".

A pandemia de COVID-19 deixou em suspenso o "outro momento", as apresentações ao vivo, e por isso Stereoboy lançou dois dos temas do álbum gravados ao vivo pelo Casota Collective, "uma maneira de o apresentar".

De outra forma, o confinamento poderá deixar os ouvintes "mais predispostos a prestar uma atenção que no dia-a-dia não tem tempo", até porque "Kung Fu" "precisa de alguma concentração, não é um disco que faça sentido só 'picar'".

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