Acompanhado de mapas do Estado da Bahia, o livro divide-se “em cinco voltas" pela região, entre 1997 e 2017, e será apresentado no próximo dia 15, às 21:45, no Bar do Teatro A Barraca, em Lisboa, pelos historiadores Pedro Cardim, da Universidade de Lisboa, e João José Reis, da Universidade Federal do Bahia, que intervirá por vídeo-conferência.

Nos "Agradecimentos” que acompanham a obra, a autora escreve: "Ao contrário dos meus livros de não-ficção, estas voltas não foram pensadas para escrever, nem anotadas. Com exceção da mais remota e escassa, em 1997, todas foram de algum modo motivadas pelo romance ‘Deus-Dará’, em todas estão presentes os amigos, baianos, oficiais ou do coração, em parte foram moldadas por eles, e sem eles este livro não existiria”.

Alexandra Lucas Coelho publicou já quatro romances. A sua estreia no género, com “E a Noite Roda”, em 2012, foi auspiciosa, tendo conquistado o Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores.

“Deus-Dará”, o seu terceiro romance, sucedeu a "O Meu Amante de Domingo". Foi publicado em 2016 e aborda o Rio de Janeiro, desde a fundação da cidade pelos navegadores portugueses, há 500 anos.

O Brasil é recorrente na obra da escritora, que, em 2013, publicou “Vai Brasil!”, um livro em que relata uma viagem feita através daquele país sul-americano.

"Cinco Voltas na Bahia e um Beijo para Caetano Veloso" é, aliás, o último volume da trilogia composta por "Vai, Brasil" e "Deus-Dará", que serão reeditados em 2020.

O novo livro, garante Lucas Coelho, “não teria existido sem Caetano Veloso e as suas leituras, mas no processo foi decisivo [o cineasta] Marcio Debellian, amigo, carioca, baiano honorário”, e seu “marinheiro predileto (filho de Iansã, de Oxum e ainda do marido de ambas, Xangô)”, escreveu a autora, referindo-se a entidades da Religião orubá, cultivada no Brasil.

“Além de saber imenso de terreiros [locais de culto], Márcio sabe tudo sobre os Veloso”, esclarece a autora, numa referência à família de Caetano e à Bahia por ele cantada ("desde que comecei a ouvir Caetano, a Bahia parece-me um lugar prodigioso", escreve a autora), acrescentando, porém, que nesta obra não conseguiu “encaixar” Xangô, “para a coroa ficar completa”.

Conta Lucas Coelho que, entre espetáculos no Brasil e em Portugal, Caetano Veloso lhe disse “Falta Bahia”, e este “foi clique” para escrever “Cinco Voltas na Bahia com um Beijo para Caetano Veloso”, “com índice, pela ordem de viagem".

"Na mais remota" das viagens, "há pontas que se atam e com ela começará a vir Caetano”.

“A Bahia – escreve a autora - é o primeiro lugar entre Portugal e Brasil. Inicia a nossa cronologia e a nossa dificuldade”.

“O que nos ligou será o que nos separa, está no meio de nós, como a Atlântida e a linha do Equador”, afirma a autora na “Primeira Volta” (setembro de 1997).

Sobre a obra, Alexandra Lucas Coelho escreve, logo à partida: “Não prensei escrever este livro. Apareceu num sábado, quando passavam 50 anos que um homem pisou a Lua, comecei-o no domingo”.

“Cinquenta anos atrás, dia por dia, o Brasil vivia o auge da ditadura e Caetano Veloso estava em concerto na Bahia a despedir-se do país. Ia ser expulso para o exílio com Gilberto Gil, seu parceiro em palco. Um norte-americano acabava de pisar a Lua, dois, aliás, enquanto cá em baixo dois sul-americanos cantavam, e com eles milhares ameaçados de cadeia. Hoje, um terror herdeiro da ditadura, por sua vez herdeira de séculos, ameaça de novo muita gente. Com o voto de muita gente”, escreve Lucas Coelho que, em junho passado, voltou a Portugal. E o Brasil está na sua via diária, há mais de uma década.

Alexandra Lucas Coelho, de 52 anos, foi jornalista, publicou livros de viagens, crónicas e reportagem, quatro romances e dois títulos infanto-juvenis.

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