O humorista e comentador político norte-americano Hasan Minhaj criticou, esta quarta-feira, dia 2 de janeiro, a decisão da Netflix de retirar do seu serviço na Arábia Saudita um episódio do seu programa no qual o príncipe herdeiro Mohamed bin Salman foi criticado.

O jornal Financial Times avançou que o gigante do streaming tinha apagado um episódio de "Patriot Act with Hasan Minhaj" passado na Arábia Saudita depois de ter recebido um pedido do reino, argumentando que o vídeo violava uma lei contra o crime cibernético. A Netflix recebeu ainda uma "solicitação legal" das autoridades sauditas, que exigiram o cumprimento da legislação local sobre crimes digitais.

"Claramente, a melhor forma de evitar que as pessoas assistam a alguma coisa é eliminá-la, transformá-la em uma tendência na Internet e deixar no YouTube", ironizou Hasan Minhaj na sua conta no Twitter.

O conteúdo do episódio, originalmente publicado online em outubro, ainda estava disponível no YouTube na quarta-feira, assim como nas plataformas da Netflix fora da Arábia Saudita. De acordo com dados do site Social Blade, o programa da plataforma foi visito no YouTube mais de 200 mil vezes apenas na quarta-feira e 9,1 milhões desde a sua criação.

No episódio, Minhaj - um americano de origem muçulmana com ascendência indiana - critica a Arábia Saudita após o assassinato do jornalista do Washington Post Jamal Khashoggi no consulado saudita em Istambul.

O humorista criticou especialmente o príncipe-herdeiro, Mohamed bin Salman, e também a campanha militar liderada pelos sauditas no Iémen.

O Senado americano aprovou em dezembro duas resoluções simbólicas culpando o príncipe pelo assassinato, depois de relatórios que apontaram nesta direção, e pedindo o fim da participação dos Estados Unidos no conflito iemenita.

Karen Attiah, editora de Khashoggi no Washington Post, tweetou esta terça-feira que a medida da Netflix era "bastante revoltante".

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