O Arouca Film Festival arranca na próxima segunda-feira (14) e celebra este ano 18 anos de existência com um apelo internacional à produção cinematográfica em Portugal, revelou hoje (10) a organização.

O objetivo é sensibilizar os profissionais estrangeiros para o potencial do território português e para a experiência dos técnicos nacionais ligados ao setor, adiantou à agência Lusa o diretor deste festival no distrito de Aveiro.

João Rita revela que, para esse efeito, a organização irá divulgar o projeto "Produce your film in Portugal [Produza o seu filme em Portugal]", que se propõe divulgar pelo mundo diversas paisagens portuguesas e é encarado como "uma das grandes apostas do evento para o futuro".

"Queremos que os produtores estrangeiros percebam a variedade de opções que têm no nosso país e as facilidades com que podem contar aqui para a realização dos seus filmes, já que a sociedade portuguesa está muito recetiva a facilitar esses projetos artísticos, e o país dispõe de um leque significativo de profissionais com grande talento", realça.

A par dessa estratégica de incentivo, o Arouca Film Festival de 2020 mantém a sua vertente competitiva, apresentando a concurso 58 filmes por cineastas de diversas nacionalidades, sendo "Espanha e os países de Leste as proveniências com maior número de concorrentes".

A temática abordada nas obras selecionadas "continua a ser muito diversa e abrange desde problemas sociais e direitos humanos até filmes de época e experimentais".

Este ano, contudo, as sessões de competição vão "sair da grande sala" para homenagear o nascimento do cinema, "passando a ser exibidas num café de Arouca, à semelhança do que aconteceu com as primeiras projeções dos irmãos Lumière no 'Grand Caffé' de Paris".

A componente formativa do festival, por sua vez, insistirá em debates temáticos e em iniciativas na comunidade escolar, o que incluirá desde visionamento de filmes até 'workshops' e palestras com cineastas.

"No dia 18 teremos em Arouca um debate com o tema 'Qual o futuro do cinema e do turismo após a pandemia', que contará com realizadores, atores e representantes das áreas da cultura e do turismo, e terá transmissão em tempo real pela internet", acrescenta João Rita.

No mesmo dia será exibido o filme "Variações", em sessão que contará com a presença do respetivo realizador, João Maia, para uma análise da obra com os espectadores.

Todas essas ações são de entrada gratuita, embora com lotação limitada às condicionantes sanitárias impostas pela pandemia de covid-19, e implicam este ano "maiores cuidados na disposição de públicos", para garantia de distanciamento social e contenção de riscos.

"Tivemos várias discussões acerca da realização ou adiamento desta edição, mas decidimos manter o festival respeitando todas as regras da Direção-Geral da Saúde, porque pretendemos dar o exemplo ao demonstrar que o setor cultural e todos os agentes a ele associados devem continuar o seu trabalho, apesar das inúmeras dificuldades que enfrentam", admite João Rita.

Nesse mesmo "espírito de missão", hoje à noite há uma pré-abertura do festival no município de São João da Madeira, onde a direção do evento, através do Cineclube de Arouca, dinamiza regularmente o ciclo de cinema independente "Cine São João". Esse pré-arranque dará a ver nos Paços da Cultura o filme "Viriato", numa sessão em que também o realizador Luís Albuquerque discutirá a obra com o público.

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