A curta-metragem “Tornar-se um homem na Idade Média”, de Pedro Neves Marques, foi premiada no Festival de Cinema de Roterdão, que decorre nos Países Baixos, anunciou hoje a organização.

O filme integrou a competição oficial de curtas-metragens do festival, onde estava também “Madrugada”, de Leonor Noivo, tendo também sido premiados “Nazarbazi”, de Maryam Tafakory, e “Nosferasta: First Bite”, de Bayley Sweitzer e Adam Khalil.

“Sinto imensa gratidão pelo prémio. Acho que para nós, Roterdão era um objetivo ter a estreia lá. Receber o prémio é duplamente satisfatório, e na verdade dá significado ao esforço todo que tenho vindo a fazer”, afirmou Pedro Neves Marques à agência Lusa.

Segundo a organização, "Tornar-se um homem na Idade Média" fica nomeado, pelo festival, para o prémio de melhor curta-metragem, no âmbito dos prémios anuais da Academia de Cinema Europeu.

O júri da competição de curtas elogiou a fotografia, os diálogos e a construção das personagens do filme, afirmando ainda que representa um "excelente confronto entre o cinema narrativo clássico e as belas artes", lê-se na nota de imprensa.

Para o júri, o filme de Pedro Neves Marques introduz ainda uma discussão "oportuna, controversa e que dá que pensar", sobre género, sexo e escolha reprodutiva.

Pedro Neves Marques

Pedro Neves Marques, artista trans não-binário, um dos protagonistas da curta-metragem, diz que este é um filme “bastante pessoal e íntimo”, que advém das suas próprias experiências e de pessoas em seu redor.

Em “Tornar-se um homem na Idade Média”, há dois casais que tentam ter filhos. Um deles, heterossexual, tem um problema de fertilidade, e o outro casal, homossexual, “recorre a um processo experimental para tentar ter uma experiência de gestação”, descreveu.

“Os meus filmes são sempre muito políticos em relação a questões sociais, dos nossos dias, mas eu gosto de trabalhar a partir de um ponto de vista mais especulativo [...]. Para mim, a ficção é perfeita”, disse.

Por motivos criativos ou de financiamento, a ideia do filme foi sendo trabalhada desde 2019, desdobrada e apresentada noutros formatos, como aconteceu numa instalação multimédia em Itália, ou a exposição “Corpos medievais”, em 2021, na Cordoaria Nacional, em Lisboa.

“Este foi um filme muito prazeroso de fazer e receber o prémio é o último momento do trabalho, é ótimo”, afirmou.

Para Pedro Neves Marques, o prémio em Roterdão é também importante para a produtora recém-criada Foi Bonita a Festa, para dar resposta ao trabalho que tem feito, com a produtora e realizador Catarina de Sousa.

“Comecei uma produtora em 2021 e há todo um esforço que tem vindo a ser feito e de repente receber o prémio dá sentido ao trabalho”, disse.

A 51.ª edição do festival de Roterdão termina no domingo.

Na programação esteve ainda a longa-metragem “A criança”, de Marguerite de Hillerin e de Félix Dutilloy-Liégeois, um filme de época passado em Lisboa no século XVI, produzido por Paulo Branco e protagonizado por João Arrais.

Na secção Curta e Média Duração marcaram presença os filmes “Azul”, de Ágata de Pinho, “Vou mudar a cozinha”, do escritor e realizador angolano Ondjaki, e "As sacrificadas", de Aurélie Oliveira Pernet, coprodução suíça com a produtora portuguesa Primeira Idade.

Edgar Pêra apresentou “Kinorama”, depois de, em 2019, ter sido alvo de uma retrospetiva no festival.

Na secção “Cinema Recuperado” esteve o histórico “Sambizanga”, da francesa Sarah Maldoror, sobre a Guerra de Independência de Angola.

Pelo segundo ano consecutivo, o festival decorre apenas 'online', por causa da pandemia da COVID-19.

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