Gina Rodríguez não conseguiu conter as lágrimas quando Yalitza Aparicio foi nomeada para os Óscares por "Roma": sentiu-se também ela incluída juntamente com muitos latinos que trabalham duramente para abrir caminhos em Hollywood.

"Estou muito orgulhosa!", reconheceu emocionada.

"Ver Yalitza ser nomeada fez-me chorar, finalmente vi-me contemplada com uma latina ali. O meu coração explodiu", recordou.

Se levar a estatueta a 24 de fevereiro, Aparicio, uma jovem professora de origem indígena que se estreou a representar no aclamado filme de Alfonso Cuarón, seria a primeira hispânica a vencer o Óscar de Melhor Atriz.

E faria parte da "mudança real" pela qual lutam Gina Rodríguez e muitos outros em Hollywood.

Esta atriz de 34 anos vai ver estrear na sexta-feira nos EUA "Miss Bala", uma nova versão da produção mexicana de 2011, adaptada para ser "um filme de ação para uma audiência global".

E tem um detalhe importante, pouco comum nos EUA: é mesmo protagonizado por uma mulher latina.

"Precisávamos contextualizá-lo para a realidade de hoje, assegurarmo-nos que seria um reflexo de uma mulher independente, forte", afirmou à agência AFP a vencedora do Globo de Ouro pela série de comédia "Jane the Virgin" ("Virgem Jane").

"Miss Bala" acompanha a história de uma jovem latina de Los Angeles que viaja para Tijuana para ajudar uma amiga num concurso de beleza, mas que acaba envolvida no obscuro mundo do contrabando e narcotráfico na fronteira entre EUA e México.

No meio de muitas balas, explosões e uma boa dose de exagero, Gloria, personagem de Rodríguez, descobre uma mulher capaz de fazer coisas que nunca imaginou, como disparar uma arma.

A produção, que estreia 1 de fevereiro nos EUA e por agora ficou sem data em Portugal, teve um elenco e uma equipa de produção 95% latino.

"Se latinos e latinas se unirem para apoiar 'Miss Bala', veremos uma mudança real. Não teremos só um filme e sim muitos", considerou a atriz.

"E acho que os estúdios começarão a colocar dinheiro em produções com latinos tanto à frente como por trás das câmaras", reforçou.

"Gringo" demais para o México

"Miss Bala" foi dirigido por Catherine Hardwicke - do primeiro filme da saga "Crepúsculo" e ainda "Treze - Inocência Perdida" - que, embora não seja latina, cresceu na cidade fronteiriça de McAllen, no Texas, com "a riqueza de ambas as culturas".

"Não sou mexicana, mas também não sou completamente americana", declarou à AFP Hardwicke, que colocou muito desse "tema de identidade" própria no filme.

É possível ver Gloria, uma "gringa" que fala pouco castelhano, e o vilão Lino (Ismael Cruz) dizendo a certa altura do filme que ser criado dos dois lados da fronteira é como se sentir mexicano demais para os EUA e "gringo" demais para o México.

E é assim que Rodríguez se sente, pois nasceu em Chicago e é filha de pais porto-riquenhos. E que, apesar de aparecer em filmes como "Aniquilação" e "Horizonte Profundo", assegura que o caminho não foi fácil.

"Tinha 32 anos quando consegui o papel para 'Miss Bala'. Até então não havia tido uma oportunidade como essa e, desde então, não tive outra oportunidade similar. São muito poucas", continuou a atriz, que agradece a ídolos como Rita Moreno e Lupe Ontiveros porque "tornaram esse caminho menos difícil".

E ela espera continuar abrindo caminhos.

"Existem muitos de nós a usar a nossa plataforma para abrir espaço para que outros fiquem à frente das câmaras e aumentem a nossa comunidade", indicou Rodríguez, que tem a produtora "I Can And I Will", focada em desenvolver este conceito.

"A única forma de gerar a mudança é fazê-la você mesmo", salientou, antes de explicar que uma das séries que desenvolve com a Disney se chama "Diário de uma Presidente", que acompanha a adolescência de uma latina que eventualmente será presidente dos EUA.

E isto num momento em que o presidente Donald Trump impulsiona políticas anti-imigrantes, que afetam principalmente os hispânicos.

"Espero que o lamentável 'bullying' desta Casa Branca nos lembre o quão forte somos juntos. Que saiamos mais companheiros, mais unidos e com mais vontade de proteger a nossa comunidade", concluiu sobre o atual momento.

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