Conforme revelou ao SAPO Mag o diretor de programação do FEST, Fernando Vasquez, o Grande Prémio Nacional para Curtas-Metragens é um dos pontos fortes da programação. Dentro desta, um dos acontecimentos é o filme “Direito à Memória” – onde se poderá ouvir aquela que parece ser a única gravação contendo a voz de Humberto Delgado – a grande voz a desafiar a ditadura de Salazar.

Segundo Vasquez, o realizador Rúben Sevivas descobriu o registo de áudio junto de uma família de Chaves que, por sua vez, o havia encontrado enterrado no quintal por altura do 25 de abril. Guardado até agora, ao áudio foram acrescentadas imagens de um cineteatro de Chaves abandonado.

“Funciona bem, é um filme muito bonito e traz um discurso picante do general”, observa Fernando Vasquez.

Outro destaque lusitano é a reposição de “José e Pilar” na forma como foi submetido aos Óscares, numa versão reeditada conforme os desejos do realizador Miguel Gonçalves Mendes, que estará presente na sessão.

Os portugueses ainda se destacam pela participação nos eventos paralelos de debates, palestras e “pitchings” e espera-se a presença de nomes como André Gil Mata, Pedro Cabeleira, Pedro Pinho e Duarte Coimbra, entre outros.

Grandes nomes do cinema mundial

Como festival fortemente vocacionado para um público interessado nas áreas técnicas do cinema, o FEST traz grandes nomes do cinema mundial – para além de Marjane Satrapi, realizadora de "Persépolis", que chega a Portugal na véspera do lançamento mundial do seu “biopic” sobre Madame Curie com Rosamund Pike.

Entre os demais convidados, destaques para o cineasta Ritesh Batra (“The Lunchbox”), que vem falar de cinema indiano; os diretores de fotografia Manuel Alberto Claro, colaborador constante de Lars von Trier; Stuart Dryburgh, de “O Piano” e outras obras de Jane Campion e Mira Nair; Jonathan Morris, editor de filmes de Ken Loach; Fernando Bovaira, o maior nome da produção no cinema espanhol depois dos irmãos Almodóvar; Gareth Wiley, responsável pela vinda de Woody Allen para as suas obras europeias; e, atualmente em grande destaque, três membros da oscarizada equipa de som de “Bohemian Rhapsody”, John Warhurst, Tim Cavagin e Nina Hartstone

Redescobrindo Borowczyk

Em termos de cinema, um dos destaques da programação é o documentário “Love Express, The Disappearance of Walerian Borowczyk”, uma obra contagiante que reúne depoimentos de nomes como os de Neil Jordan, Terry Gilliam, Slavoj Zizek e Bertrand Bonello, entre muitos outros, para lembrar um cineasta autor de algumas obras-primas eróticas dos anos 70 (“La Bête”, “Contos Imorais”), que enfrentou problemas para continuar o seu trabalho nos 80.

“É uma oferenda dos deuses para o FEST”, comemora Vasquez.

Entre outros projetos, “Tramers” é abordagem explosiva da história de um evangélico que descobre ser homossexual e é enviado para um campo de reeducação na Guatemala. Trata-se de um trabalho de Jayro Bustamente, que tinha dado nas vistas com “Ixcanul”.

“É um dos “melhores filmes do ano”, enfatiza o diretor de programação do FEST.

Outros destaques: “Take me Somewhere Nice”, história com contornos absurdos num título vencedor de prémios em Roterdão; o filme de abertura “Els dies que vindran” (foto), do realizador espanhol de “10000 km”, Carlos Marquês-Marcet; “Manta Ray”, do tailandês Phuttinphong Aroonpheng”, uma das grandes sensações do circuito de festivais desde a estreia em Veneza; e “System Crasher”, trabalho da alemã Nora Fingscheidt vencedor de dois prémios na última edição do Festival de Berlim.

O encerramento do FEST caberá ao norte-americano Alex Ross Perry e o seu “Her Smell”, que se inspira em figuras como Courtney Love para narrar a tentativa de reconstrução de uma artista em declínio.

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