O conflito ucraniano estará presente no 75.º Festival de Cinema de Cannes, que começa na próxima terça-feira com Tom Cruise e a sua nova versão do mítico "Top Gun - Ases Indomáveis".

Para um regresso triunfante, com milhares de participantes e sem máscaras, o festival francês abre as suas portas não só aos criadores ucranianos, mas também aos seus adversários russos.

O concurso anunciou esta quinta-feira que vai apresentar o filme que o lituano Mantas Kvedaravicius rodou na cidade ucraniana de Mariupol, onde ele morreu em abril.

A longa-metragem "Mariupolis 2" (105 minutos) "mostra a vida que continua sob as bombas" e foi acrescentado à lista oficial de filmes, explica um comunicado, que destaca ainda as suas "imagens ao mesmo tempo trágicas e esperançosas".

A namorada e editora de Kvedaravicius conseguiu montar o filme após a morte do seu criador.

Já um jovem realizador ucraniano, Maksim Nakonechnyi, apresenta "Bachennya Metelyka", ambientado no conflito em Donbass, que eclodiu em 2014 nos territórios pró-russos do leste da Ucrânia.

Outro ucraniano, Sergei Loznitsa, já com uma longa carreira, participa com o filme "The Natural History of Destruction".

21 filmes na disputa

Top Gun: Maverick

"Top Gun: Maverick", dirigido por Joseph Kosinski e exibido em paralelo à competição, traz de volta um dos maiores sucessos cinematográficos dos anos 1980. Cruise, que produz o filme, volta a interpretar o piloto rebelde Pete Mitchell, acompanhado por Val Kilmer.

Vinte e um filmes disputam a Palma de Ouro. Do lado ibero-americano, a seleção finalmente faz justiça ao cinema em espanhol, especialmente aos novos cineastas.

O espanhol Albert Serra, um velho conhecido de Cannes, apresenta mais uma vez o seu olhar sobre o cinema de autoria com "Pacifiction", interpretado pelo ator francês Benoît Magimel, e ambientado numa ilha do Pacífico.

Serra está em disputa por exemplo com o canadiano David Cronenberg, outro veterano em Cannes, que apresenta "Crimes of the Future", uma turbulenta história de exibicionismo de órgãos humanos.

Os irmãos belgas Dardenne, com dois filmes laureados com o prémio principal, mantêm a sua reputação de cinema comprometido com "Tori et Lokita".

A realizadora francesa Claire Denis, uma das cinco mulheres na corrida pela Palma de Ouro, apresenta "Stars at Noon", uma história ambientada na Nicarágua.

O russo Kirill Serebrennikov, conhecido pelas suas posições a favor da comunidade LGTB+, que conseguiu deixar o seu país após problemas com a lei, concorre com um filme sobre a vida do compositor Piotr Tchaikovsky e a sua esposa.

Também concorrem o americano James Gray ("Armaggedon Day") e o iraniano Ali Abassi ("Border").

A presença portuguesa

Fora de competição, nas sessões especiais, estará o filme "Restos do Vento", do realizador português Tiago Guedes, que coassina o argumento com Tiago Rodrigues.

Produzido pela Leopardo Filmes, "Restos do Vento" é protagonizado por Albano Jerónimo, Nuno Lopes, Isabel Abreu, João Pedro Vaz, Gonçalo Waddington e Leonor Vasconcelos.

Fora de competição estará também "Tourment sur les îles", do realizador espanhol Albert Serra, com coprodução minoritária portuguesa pela Rosa Filmes.

Da presença portuguesa no festival, há ainda a assinalar a seleção de "Fogo-Fátuo", novo filme do realizador português João Pedro Rodrigues, para a Quinzena de Realizadores.

Na Semana da Crítica, outro dos programas paralelos, estarão "Alma Viva", da realizadora luso-francesa Cristèle Alves Meira, "Ice Merchants", ‘curta’ de animação de João Gonzalez, e "Tout le monde aime Jeanne", primeira obra da realizadora francesa Céline Devaux, rodada em Lisboa e com coprodução portuguesa pela O Som e a Fúria.

Anteriormente conhecido como Cinéfondation, o programa La Cinef acolhe uma seleção oficial de curtas-metragens produzidas e realizadas por pessoas em formação em cinema e audiovisual que inclui "Mistida", do português Falcão Nhaga, produzida pela Escola Superior de Teatro e Cinema.

Protagonizado por Bia Gomes e Welket Bungué, "Mistida" é o filme de fim do curso de realização de Falcão Nhaga, de 21 anos, de ascendência guineense e cabo-verdiana.

E autores da América Latina

Além de Serra, várias longas-metragens da Espanha e da América Latina participam noutras categorias, como "Domingo y la niebla" do costarriquenho Ariel Escalante.

O chileno Patricio Guzmán, cronista da conturbada história da sua nação, apresenta o documentário "Mi País Imaginario" em sessão especial.

Também será exibido o filme "As Bestas", ambientado na Galiza, do espanhol Rodrigo Sorogoyen ("El Reino").

Os restantes são, na sua maioria, novos cineastas, como a espanhola Elena López Riera, que apresenta "El agua".

O colombiano Fabián Hernández estreia com "Un Varón", o seu compatriota Andrés Ramírez Pulido com "La jauría" e a chilena Manuela Martelli com "1976".

Todos eles disputam a Câmera de Ouro, que premia o melhor estreante da edição, e cujo júri será presidido este ano pela atriz espanhola Rossy de Palma.

"Dalva", da jovem belga Emmanuelle Zicot, também se destaca entre as produções dos estreantes.

Além de Tom Cruise, são esperados na passadeira vermelha deste ano Viggo Mortensen, Kristen Stewart, Cate Blanchett e Léa Seydoux.

O australiano Baz Luhrman ("Moulin Rouge") desperta emoção com "Elvis", sobre o rei do rock'n'roll, fora de competição.

O ator americano Forest Whitaker ("Bird"), 60 anos, receberá a Palma de Ouro de Honra.

Presidido pelo ator francês Vincent Lindon, o júri desta edição dará o seu veredito no dia 28 de maio.

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