“Fazia parte da sua natureza: era incapaz de mentir e este foi um dos aspetos que eu quis realçar no ‘novo Winston’ do filme ‘A Hora Mais Negra’, para além da imagem popular do homem agarrado a um charuto e com o aspeto de alguém que nasceu maldisposto”, disse à Lusa Anthony McCarten acrescentando o poder dos discursos do primeiro-ministro britânico durante a II Guerra Mundial (1939-1945).

“Penso que sem as palavras e a perfeição da retórica é impossível perceber Winston Churchill. Primeiro tinha sentido de humor, usava o humor como estratégia e depois tinha uma incapacidade quase infantil para mentir, o que é uma característica bastante revigorante quando pensamos nos políticos da atualidade”, refere o investigador.

O ator britânico Gary Oldman - no papel de Winston Churchill - venceu hoje o Globo de Ouro para melhor ator, no filme a “Hora Mais Negra” que se estreia na quinta-feira, em Portugal.

O trabalho do escritor e argumentista Anthony McCarten é o resultado de investigações sobretudo dos momentos “dramáticos” que marcaram o Reino Unido em 1940: entre o afastamento de Neville Chamberlanin de Downing Street, o confronto com Halifax e a tomada de posse de Winston Churchill como chefe do governo (10 de maio) até ao início da retirada das Forças Expedicionárias Britânicas de Dunquerque, no dia 04 de junho, durante a invasão da França pelo Exército nazi.

McCarten consultou os Arquivos Nacionais britânicos, nomeadamente os documentos do Almirantado, do Parlamento e do Gabinete de Guerra enfatizando a possibilidade de um eventual acordo de paz entre Londres e Berlim sob a mediação do ditador fascista italiano, Benito Mussolini já depois da invasão nazi da Polónia (01 de setembro de 1939), Checoslováquia, Dinamarca e Noruega.

“Realço a possibilidade de um acordo de paz com Hitler porque Churchill é sempre apresentado como um homem que nunca duvidada dele próprio e eu, após ter consultado os arquivos, encontrei um homem que muda de posições, às vezes de hora a hora. Por vezes nota-se a incerteza sobre a decisão que tinha de tomar e este é um novo ângulo sobre Churchill que também ainda não foi suficientemente estudado”, sublinha McCarten.

Para o autor do argumento, a “melhor cena do filme” passa-se no metropolitano de Londres, quando Churchill pretende auscultar os sentimentos das pessoas, porque, refere, o trabalho de um primeiro-ministro é garantir o bem-estar das pessoas.

“No filme, esse momento é decisivo. É o momento em que o povo pretende lutar apesar de muitos políticos defenderem um acordo com Hitler, Churchill põe-se ao lado da vontade das pessoas através dos discursos de 1940. Ele inspirou-se nas pessoas”, refere McCarten, um escritor que estuda e investiga discursos políticos.

“Gosto de discursos porque acredito na importância das palavras e das propostas através das palavras Em circunstâncias especiais, as palavras certas podem mudar o mundo. Em maio de 1940 temos o exemplo perfeito de que as palavras fizeram a diferença e acredito, verdadeiramente, que estes discursos (de Winston Churchill) mudaram a História da humanidade”, acrescenta.

Anthony McCarten, autor do livro e do argumento do filme “A Hora Mais Negra” prepara atualmente um filme “sobre um diálogo” entre o Papa Francisco e o Papa Bento XVI.

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