O trabalho desenvolvido ao longo dos últimos três anos com crianças, com e sem deficiência, de escolas de Lisboa e que culminou num espetáculo, deu origem a um documentário que será exibido no domingo na Fundação Calouste Gulbenkian.

O Geração SOMA é um projeto inclusivo e social, desenvolvido pela associação Vo’Arte em parceria com a CiM – Companhia de Dança, que envolveu crianças entre os 5 e os 16 anos de escolas dos agrupamentos Bartolomeu de Gusmão e Virgílio Ferreira, ambos de Lisboa, e foi apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian na segunda edição (2016-2018) da iniciativa Práticas para a Inclusão Social (PARTIS).

O projeto “resume-se a uma espécie de descoberta”: “Ajudar a que as crianças e os jovens envolvidos descobrissem um pouco, nas suas próprias fragilidades, aquilo que podem ser vistos como superpoderes. Ou seja, transformar fragilidades, umas mais evidentes que outras, naquilo que são potenciais superpoderes e com esses superpoderes trabalharmos uma narrativa desafiante para um futuro possível”, explicou o coordenador artístico do projeto e realizador do documentário, Pedro Senna Nunes, em declarações à Lusa.

O documentário pretende dar “um olhar transversal” do projeto, tentando “medir a progressão do trabalho feito ao longo do tempo e que culminou com um espetáculo”.

Para quem não acompanhou o projeto pretende-se que seja “um objeto de visita e que anuncie alguma da cumplicidade que foi criada”, enquanto para os participantes, “quer direta quer indiretamente”, será “uma espécie de construção de memória daquilo que foi uma caminhada”.

No espetáculo “Eu Maior”, apresentado na Fundação Calouste de Gulbenkian, em Lisboa, em abril do ano passado, participaram apenas algumas das cerca de 1.200 crianças da Geração SOMA.

“Obviamente sabemos que não foi possível chegar a todas da mesma maneira, mas a todas o projeto não deixou de tocar e não deixou de fazer a diferença”, referiu Pedro Senna Nunes.

O documentário reúne testemunhos de crianças, mas também de professores, que falam nas “melhorias que os alunos tiveram em relação à sua performance como alunos”.

“Há muitas evidências em torno dessa matéria, quer nos resultados em termos de avaliação, quer no lado da socialização entre crianças, quer numa dimensão mais lúdica”, afirmou.

Durante o tempo de duração do projeto, os coordenadores trabalharam “muito com o universo das crianças com necessidades educativas especiais, num ambiente regular”, e tentaram “fazer este convívio de facto um processo de encontro e não de desencontro, como muitas vezes se vê no ambiente escolar, em que muitos estão de um lado e os outros estão do outro”.

“Nós procurámos que houvesse aqui um movimento único em que todos poderiam estar juntos”, contou.

Uma das ideias dos responsáveis pelo projeto passava por replicá-lo fora de Lisboa. Por isso, levaram ao Fundão e à Guarda “um conjunto de crianças, que passaram a ser eles próprios mentores de outras crianças para alavancar o projeto noutras cidades, cidades mais pequenas, e sempre com o mesmo objetivo de tornar sempre o processo inclusivo e social”.

Além disso, ao longo do processo, “houve também uma articulação com o ensino integrado da música”. “Criámos uma orquestra composta sobretudo por alunos do ensino articulado da música, que trouxeram a possibilidade de termos música ao vivo”, disse Pedro Senna Nunes.

A “ambição maior” do projeto passava por “manter uma orquestra com alunos do ensino articulado, com e sem deficiência”, e “tornar mesmo um grupo de crianças e jovens mentores dos próximos projetos, quer do ponto de vista dramatúrgico quer do ponto de vista até da condução”. “Obviamente que com o nosso apoio”, referiu.

O apoio do PARTIS terminou em dezembro. A Vo’Arte e a CIM voltaram a candidatar-se ao apoio, mas desta vez ficaram de fora, algo que “compromete de sobremaneira a continuação do projeto”, pelo menos “à escala imaginada”.

“O que estamos a fazer e vamos fazer é trabalhar de uma maneira um pouco mais reduzida. Vamos encontrar soluções de continuação. A porta de entrada que abrimos não vai fechar”, garantiu Pedro Senna Nunes.

Na mostra “Isto é PARTIS”, com entrada gratuita, serão apresentados alguns dos 16 projetos de intervenção social pela arte, que foram apoiados pela Gulbenkian na segunda edição (2016-2018) da iniciativa PARTIS.

Entre hoje e domingo será mostrado “o resultado do trabalho desenvolvido junto de pessoas vulneráveis e em situações de exclusão”.

A programação completa pode ser consultada no ‘site’ da Fundação Calouste Gulbenkian

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