Aimee Duffy, cantora pop conhecida apenas como Duffy e voz do tema "Mercy, escreveu uma carta-aberta ao diretor executivo da Netflix Reed Hastings em que arrasa a decisão da exibir o filme polaco "365 Dias".

Em fevereiro, a artista britânica revelou que foi drogada, sequestrada, levada para fora o estrangeiro e violada durante quatro semanas. Essa foi a razão para se ter afastado do mundo da música há dez anos.

Adaptação do primeiro de três livros de Blanka Lipinska, "365 Dias" é resumindo pela Netflix como a história de "uma executiva fogosa numa relação sem chama é vítima de um dominador chefe da máfia que a aprisiona e lhe dá um ano para se apaixonar por ele".

"Lixo" para uns, "pornografia dos ricos" para outros, o filme com cenas de sexo e violência bastante explícitas está no ranking dos conteúdos mais vistos na plataforma nos EUA, Grã-Bretanha, Portugal e noutros países, sendo comparado pelos espectadores "As Cinquenta Sombras de Grey".

Duffy teve uma reação muito diferente à existência do filme e do seu sucesso e estabelecendo um paralelismo entre a história e o que sofreu, diz que a Netflix foi "irresponsável" ao exibir ao filme.

"'365 Dias' glamoriza a realidade brutal do tráfico sexual, rapto e violação. Isto não devia ser a ideia de entretenimento de qualquer pessoa, nem devia ser descrito como tal ou comercializado dessa maneira", escreve na carta-aberta.

Recordando que se estima que existam 25 milhões de pessoas atualmente traficadas em todo o mundo, a artista acrescenta que a "entristece que a Netflix proporcione uma plataforma para este 'cinema' que erotiza o sequestro e distorce a violência sexual e o tráfico como um filme 'sexy'. Não posso imaginar como a Netflix pode ter desprezado como isto é negligente, insensível e perigoso. Até fez com que algumas raparigas recentemente jovialmente pedissem a Michele Morrone, o ator principal do filme, que as sequestre".

Em nenhum momento da carta Duffy pede à plataforma para retirar o filme de exibição, mas deixa pouco à especulação sobre ser essa a atitude que a plataforma devia tomar: "Todos sabemos que a Netflix não alberga material que glamoriza pedofilia, racismo, homofobia, genocídio ou qualquer outro crime contra a humanidade. O mundo, com razão, iria erguer-se e gritar".

Duffy apela ainda ao responsável da Netlflix para utilizar os seus recursos e o talento dos seus cineastas para criar conteúdos que "representem a verdade da dura e terrível realidade do que '365 Dias' procurou transformar num trabalho de entretenimento descontraído".

LEIA A CARTA NA ÍNTEGRA.


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