Uma investigação do jornal norte-americano Los Angeles Times revelou este mês que a Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood, responsável pela atribuição dos Globos de Ouro, não conta com nenhuma pessoa negra entre os seus 87 membros votantes. Alguns elementos também estão em representação de vários países e há ainda "muitos que não são verdadeiramente jornalistas, porque não são ameaça para ninguém", como descreveu um responsável da organização.

A revelação veio alimentar as críticas de muitas vozes que se têm acentuado nos últimos anos quanto à falta de representatividade em prémios da indústria do entretenimento.

Este ano, a associação foi amplamente criticada por ter excluído das nomeações dos Globos de Ouro várias produções centradas em figuras afro-americanas que são potenciais candidatos aos Óscares, como "Da 5 Bloods - Irmãos de Armas", de Spike Lee, "Judas and the Black Messiah", de Shaka King, e "Ma Rainey: A Mãe do Blues", de George C. Wolfe.

Esta sexta-feira, HFPA emitiu um comunicado no qual diz compreender a necessidade de integrar mais membros negros, assim como de outras minorias pouco representadas, e que irá "trabalhar de forma imediata para implementar um plano de ação que atinja esses objetivos tão cedo quanto possível".

A entidade assinala ainda que está "completamente comprometida" a assegurar que os seus elementos refletem "as comunidades de todo o mundo que amam cinema, televisão e os artistas que as inspiram e educam".

Os Globos de Ouro foram vistos, em tempos, como uma antecâmara para os Óscares, mas em anos recentes a sua importância tem sido questionada e até ridicularizada - por exemplo, pelo humorista Ricky Gervais, apresentador de várias cerimónias.

O Los Angeles Times descobriu ainda que, sendo uma associação sem fins lucrativos, a HFPA faz "pagamentos substanciais" ao seus membros - em 2020 foram 1,6 milhões de euros - para pertencerem em diferentes comités e realizarem determinadas tarefas.

A atribuição dos Globos de Ouro, que acontece anualmente há quase oitenta anos, é o lado mais visível da atuação da Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood.

O jornal recorda que todos os anos a cerimónia de entrega dos prémios soma entre 18 a 20 milhões de espectadores, um número generoso e que é visto ainda pelos estúdios de cinema como um ponto chave no calendário de prémios rumo aos Óscares.

"O problema é que os estúdios precisam deles", admitiu o agente de um dos estúdios de Hollywood, que não quis ser identificado.

A 78.ª edição dos Globos de Ouro está marcada para este domingo, 28 de fevereiro, contará com apresentação de Tina Fey e Amy Poehler e a cerimónia será apenas virtual, face à situação epidemiológica da COVID-19 nos Estados Unidos.

O filme "Mank", de David Fincher, e a série "The Crown", produzidos pela plataforma de streaming Netflix, lideram as nomeações.

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