Não há um favorito claro na corrida aos Óscares? Afinal, parece que há, pelo menos em Hollywood: chama-se "Green Book: Um Guia Para a Vida".

Os sinais são evidentes e não escapam aos estudiosos da temporada de prémios: sempre que um filme começa a ganhar tração como favorito começam a surgir histórias controversas à sua volta na comunicação social, muitas vezes "sugeridas" pelas equipas de marketing dos rivais.

As campanhas pela negativa não são nada de novo em Hollywood, mas ganharam sofisticação com o produtor agora caído em desgraça Harvey Weinstein (por exemplo na disputa aos Óscares entre "A Paixão de Shakespeare" e "O Resgate do Soldado Ryan") e intensificaram-se com as redes sociais.

Com estreia prevista em Portugal para 24 de janeiro, "Green Book" conta a história verídica da amizade que nasceu quando o famoso pianista negro Don Shirley (Mahershala Ali) contratou um segurança italo-americano como motorista (Viggo Mortensen) para o acompanhar uma digressão pelo Sul racista dos EUA nos anos 1960.

Considerado um forte candidato aos Óscares desde que foi exibido pela primeira vez em setembro no festival de Toronto, onde ganhou o prémio do público, as polémicas duram há semanas e intensificaram-se após conquistar três prémios nos Globos de Ouro no domingo à noite, incluindo o de Melhor Filme de Comédia ou Musical.

Nas últimas horas, o realizador Peter Farrelly pediu desculpa e considerou-se um "idiota" após a revista "The Cut" publicar excertos de um artigo da "Newsweek" de 1998 sobre as partidas que ele e o seu irmão Bobby Farrelly gostavam de pregar quando faziam comédias de humor desbragado como "Doidos à Solta" e "Doidos Por Mary".

No caso de Peter Farrelly, era apanhar as pessoas desprevenidas exibindo os genitais e as "vítimas" foram Tom Rothman, então presidente da produção no estúdio Fox, e Cameron Diaz, que encararam tudo como uma partida.

A atriz era mesmo citada pela Newsweek a dizer "Temos de reconhecer o génio criativo quando um realizador mostra o pénis dele a primeira vez que o conhecemos".

Ciente que as revelações são explosivas numa Hollywood varrida por assédios sexuais (Louis C.K. que o diga), o realizador foi rápido a reconhecer e pedir desculpas em comunicado: "É verdade. Era um idiota. Fiz isto há décadas e pensei que estava a ser divertido e a verdade é, estou constrangido e agora isso envergonha-me. Estou muito arrependido".

Praticamente ao mesmo tempo, Nick Vallelonga, argumentista do filme e filho da personagem interpretada por Viggo Mortensen, apagou o seu Twitter após ser revelada uma mensagem publicada em 2015 em que respondia a Donald Trump, corroborando a afirmação de que tinha visto milhares de pessoas a festejar em Nova Jérsia quando caíram da Torres Gémeas a 11 de setembro de 2001.

"100% correto. Muçulmanos em Jersey City festejaram quando as torres caíram. Eu vi, como você, possivelmente numa estação de notícias local da CBS".

A afirmação do então candidato à presidência dos EUA viria a ser contestada e desmentida, mas a de Nick Vallelonga pode agora roubar-lhe o favoritismo na corrida aos Óscares e deixá-lo numa posição desconfortável quando se encontrar com o muçulmano Mahershala Ali.

Histórias mais antigas de má publicidade foram as acusações de alegadas liberdades com a história, incluindo feitas por familiares de Don Shirley, críticas por ser um filme sobre "um branco que salva um negro" e Viggo Mortensen ter dito a palavra "nigger" quando quis demonstrar que o termo era racista e já não é usado atualmente pelas pessoas.

Em sentido contrário, vários amigos de Don Shirley têm vindo a defender os méritos factuais e artísticos de "Green Book".

A campanha de credibilização também está a passar por dar mais destaque no circuito dos prémios à atriz Octavia Spencer, aqui no papel de produtora-executiva, que também fez a introdução às imagens do filme nos Globos de Ouro.

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