«O Fantástico Homem-Aranha 2: O Poder de Electro», «X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido», «Transformers: Era da Extinção», «Planeta dos Macacos: A Revolta»: as bilheteiras de verão nos Estados Unidos foram dominadas por filmes de sagas já conhecidas, demonstrando que os estúdios preferem evitar os riscos e apostar cada vez mais em continuações.

«São como redes de segurança para estúdios e investidores, já que estes filmes são os que conseguem as maiores receitas», explicou à AFP Jeff Bock, porta-voz da Exhibitor Relations, empresa especializada nas receitas dos cinemas dos EUA e Canadá.

«Sete dos 10 filmes com mais receitas este ano são sequelas», destaca Bock, que cita como exemplos «Capitão América: O Soldado do Inverno», que conseguiu 715 milhões de dólares em todo o mundo, «O Fantástico Homem-Aranha 2», com 710, «Agentes Universitários», com quase 300, e «Como Treinares o Teu Dragão 2», com 465.

Este tipo de filme é geralmente lançado nos EUA no período que vai do início do verão até um pouco antes do começo do outono, quando as produções que aspiram às nomeações para o Óscar começam a chegar às salas de cinema.

A tendência para apresentar novas aventuras de um filme que já fez grande sucesso não é nova. Sagas como «James Bond», «Superman», «Star Wars», «Star Trek», «Rocky», «Exterminador Implacável» ou «Harry Potter» comprovam o sucesso da estratégia.

Mas o fenómeno ganhou força nos últimos anos. «Isto aconteceu nos últimos anos e continuará a acontecer. Basta observar o calendário das estreias: sequelas, sequelas e mais sequelas», afirma Bock. Esta sexta-feira entram em cartaz nos EUA «As Tartarugas Ninja» (30 de outubro em Portugal), mais uma adaptação do desenho para o cinema, e nas próximas semanas estreiam «Os Mercenários 3» e «Sin City: Mulher Fatal».

«As sequelas poupam muito dinheiro dos estúdios em termos de promoção e é mais fácil fechar múltiplos contratos com empresas interessadas num mesmo produto», explica o porta-voz da Exhibitor Relations. «É um setor tão competitivo que os estúdios pensam que, com as continuações, as pessoas já sabem de que tratam os filmes», afirma à AFP Glenn Williamson, professor de cinema na Universidade UCLA.

O porta-voz da Disney, Olivier Margerie, destaca que, às vezes, a decisão de produzir uma sequela é tomada com bastante antecedência, sem o estúdio saber se o primeiro filme fará sucesso. «A produção de «Aviões - Equipa de Resgate» começou quando o primeiro «Aviões» ainda não havia estreado, o que foi uma aposta financeira».

Em alguns casos, a aposta resulta em fracasso, como aconteceu com «Os Caça-Fantasmas II» (1989), «Gremlins 2 - A Nova Geração» (1990), «Exorcista II: O Herege» (1977), «O Livro das Trevas-Blair Witch 2» (2000) ou «Instinto Fatal 2» (2006), mas os estúdios conseguem administrar cada vez melhor a fórmula do sucesso.

«Em geral, são uma garantia de sucesso, por isto vemos tantas em Hollywood», afirma Bock, que também ressalva que o orçamento deste tipo de longas-metragens é cada vez maior.

Williamson considera que o fim das sequelas chegará quando o modelo estiver esgotado, «quando um estúdio não souber como continuar a atualizar a ideia inicial».

O professor concorda que o vício nas sequelas pode provocar uma certa preguiça dos estúdios, que teriam medo de assumir riscos criativos. Para ele, o sucesso das continuações em grandes mercados como China, Rússia e Índia é um motivo para os estúdios prosseguirem por este caminho.