«Jacquot de Nantes», que estreou fora de competição em Cannes, recria a infância de
Jacques Demy na França ocupada pelas forças nazis, que a partir da sua garagem vai revelando o seu empenho precoce por todas as atividades ligadas ao cinema e aos musicais, desde o casting, à cenografia, à realização ou à iluminação. A ação decorre em Nantes e é cruzada por breves trechos documentais com um Demy à beira da morte.

A exibição, nas «
Terças-feiras clássicas do Teatro Campo Alegre», integra o ciclo «Le Cinema enchanté de Jacques Demy» e é exibido pelas 22 horas no dia em que realizador completaria 81 anos. Sem pertencer ao grupo da Nouvelle Vague, propriamente dito, tal como
Agnès Varda ou
Alain Resnais, não foi distante da aventura do novo cinema francês, mas celebrizou-se por filmes mais tradicionais, como o musical
«Os Guarda-Chuvas de Cherbourg» ou
«As Donzelas de Rochefort», ambos com
Catherine Deneuve.

Para Serge Toubinia, diretor da Cinemateca Francesa, Agnès Varda, companheira de Demy desde 1958, «mostrou de forma magnífica, como se de um conto de fadas se tratasse, a vida de Jacquot de Nantes e o nascimento de uma ideia obstinada do cinema, inscrita desde a infância».

E acrescenta ainda o diretor da Cinemateca: «A força de carácter de Demy permitiu-lhe permanecer fiel a esse pacto secreto que fizera consigo mesmo. Que pacto era esse? Que se o cinema é uma forma encantada, colorida e ritmada, as histórias que ele conta podem ir ao mais negro, ao mais profundo dos seres, para revelar as paixões mais íntimas. A obra de Jacques Demy é única, coerente, violentamente pessoal. Tem a simplicidade de uma canção e recebe-nos com alegria. Depois leva-nos a lugares mais sombrios onde se encenam as paixões humanas. E tudo isto sem dizer água-vai».

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