O ex-produtor, catalisador do movimento #MeToo, foi acusado no ano passado de agressão sexual de duas mulheres, por uma violação em 2013 e sexo oral forçado em 2006.

Presente nesta sexta-feira na audiência, Weinstein, de 67 anos, pode ser condenado à prisão perpétua se for considerado culpado após este processo, que durará cerca de cinco semanas.

Um advogado da defesa elogiou o adiamento do julgamento.

"Vai dar-nos tempo para aprofundar o tema e falar com as pessoas que se manifestam para nos dizer coisas muito úteis para Weinstein", afirmou Jose Baez, que assumiu a defesa do acusado há apenas três meses.

O adiamento do processo foi anunciado após uma audiência de quatro horas realizada a porta fechada a pedido dos advogados de ambos os lados, apesar do protesto dos meios.

A audiência deveria determinar se várias mulheres que acusaram o famoso produtor de Hollywood de agressão sexual serão autorizadas a testemunhar no julgamento, além das duas mulheres que o denunciam ante a justiça.

O juiz James Burke deu a entender que a sua decisão sobre o assunto não seria comunicada ao público até ao início do julgamento.

Desde outubro de 2017, mais de 80 mulheres acusaram publicamente Weinstein, ex-diretor dos estúdios Miramax e The Weinstein Company, de as ter violado estuprado, agredido sexualmente ou assediado, entre elas celebridades como Ashley Judd, Angelina Jolie e Salma Hayek.

Mas o produtor só foi acusado formalmente de duas agressões em Nova Iorque, já que as outras acusações eram antigas e os delitos prescreveram.

Em consequência do fecho da audiência à imprensa, não se sabe quantas dessas 80 mulheres a promotora Joan Orbon-Illuzzi quer chamar para o banco das testemunhas. O que relatarem poderá afetar o desenlace do processo.

Em abril de 2018, os testemunhos de cinco mulheres que não faziam parte da acusação foram decisivos no segundo julgamento da ex-estrela da televisão norte-americana Bill Cosby, acusado também de agressões sexuais a várias mulheres, mas julgado por apenas uma.

Cosby foi considerado culpado e condenado a ao menos três anos de prisão, na primeira vitória judicial da era #MeToo.

O advogado Jose Baez afirmou no entanto após a audiência que "geralmente" quando a acusação quer chamar outras mulheres como testemunhas, "é bom para a defesa" porque significa que a promotoria "não pode provar" a culpa do acusado só com as duas acusadoras na origem da acusação.

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