Bárbara Virgínia faleceu no Rio de Janeiro a 8 de março aos 91 anos e foi pioneira da realização de filmes em Portugal.

Nome artístico de Maria de Lurdes Dias Costa (15 de novembro de 1923) e formada no Conservatório, trabalhou em várias áreas artísticas, nomeadamente como atriz, cantora lírica, dançarina e declamadora.

A estreia no cinema aconteceu em 1945 como atriz em «Sonho de Amor», de Carlos Porfírio, mas foi no ano seguinte que entrou para a história do cinema nacional quando protagonizou e realizou «Três Dias Sem Deus».

Considerada a primeira longa-metragem de ficção realizada por uma mulher, foi selecionada, juntamente com «Camões», de Leitão de Barros, para representar Portugal no primeiro Festival de Cannes, ao lado de filmes realizados por nomes como Billy Wilder e Roberto Rossellini.

Tinha apenas 22 anos e era a única melhor mulher realizadora entre os títulos em competição.

Numa entrevista na época assumiu que «do propósito à realização vai um abismo» e que era um trabalho onde todos deram o seu melhor, mas não «um grande filme». «Não foi feito com o objetivo de assombrar alguém, mas é um filme com coisas boas e coisas más como todos», acrescentou.

Questionada sobre se tinha receio de não lhe perdoarem por invadir «um campo onde só homens têm atuado», deu uma resposta exemplar: «Posso recear não ter atingido o mínimo das exigências inerentes a uma obra desta envergadura. O resto seriam pensamentos doentios que quero afastar do meu modesto cantinho».

Atualmente, nenhum dos dois filmes subsiste, existindo apenas fragmentos sem som na Cinemateca Portuguesa, curiosamente apresentados num encontro internacional de debate sobre igualdade de género realizado no dia a seguir à sua morte.

A presença no documentário «Aqui, Portugal», de Armando de Miranda (47), seria o fim da sua curta passagem pelo cinema, passando a dedicar-se à rádio. Pouco depois, descoberta por um empresário brasileiro, atravessou o Atântico e assinou contrato com a TV Tupi, tornando-se uma das pioneiras da televisão brasileira, desenvolvendo uma longa carreira.

Imagem: FABULÁSTICAS, as Mulheres são assim!