A artista croata Nora Turato estreia hoje em Serralves, no Porto, um filme rodado no auditório da fundação e no qual explora uma recolha de textos para colocar em palco “uma atriz em crise”.

“Alguém devia dizer-te o que é que realmente se está a passar” é o título do filme da artista nascida em Zagreb em 1991 e atualmente residente em Amesterdão, ficando patente na Galeria Contemporânea do Museu a partir de hoje e até 19 de janeiro de 2020.

Filmado em julho deste ano no Auditório de Serralves, durante uma semana, o novo filme, de cerca de 21 minutos, relaciona-se com uma performance que tinha apresentado no mesmo espaço em 2018, no ciclo “Museu como Performance”.

“São performances que muito assustam alguns, com uma mulher a gritar, colérica na maior parte do tempo, e textos escritos por ela, a partir de uma recolha de frases, citações que tira de filmes, músicas e publicações nas redes sociais. [...] Cria-se uma intimidade partilhada, o que é um contrassenso”, descreve à Lusa o curador, Ricardo Nicolau.

Esse trabalho de recolha voltou a estar na base deste filme, que coloca Nora em palco, mas surge sobretudo do filme “Noite de Estreia”, realizado por John Cassavetes em 1977, também ele sobre uma atriz em crise no teatro.

Ao lado de Nora Turato estarão os dois galgos da artista, um “contraste pela calma que manifestam, deitados a seus pés, enquanto ela grita e gesticula”, para acentuarem “a crise da performance”.

“A sala onde o filme é exibido estará completamente escurecida, e durante certos momentos do filme, se alguém entrar na sala nessa altura, praticamente não se orienta, uma desorientação que muito agradou à artista”, conta Ricardo Nicolau.

Na seleção de textos para esta obra inédita, é “particularmente evidente” o uso de provérbios e outras “frases delapidadas com orientações e sínteses morais”.

A atriz em crise, então, é Turato, “com os seus monólogos sincopados, à beira da histeria” a contrariar “a restritiva ideia do teatro como uma recitação profissional de um texto pré-escrito”, ocupando antes “um espaço performativo volátil e insubordinado”, pode ler-se na apresentação da estreia.

Nascida em 1991, Turato começou por destacar-se pelo trabalho como atriz, em performances realizadas em eventos como a Manifesta de 2018, em Palermo, ou com apresentações em locais como o Kunstmuseum, no Liechtenstein, tendo sido artista residente da holandesa Rijksakademie.

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