Um mês depois de tomar posse como novo presidente do conselho diretivo do ICA, Luís Chaby Vaz afirmou que "é preciso arrumar a casa" para que o cinema e audiovisual portugueses se tornem mais "fortes e sólidos" do ponto de vista económico.

O responsável quer, por exemplo, dar mais visibilidade ao recente programa de incentivos fiscais para produtores estrangeiros que queiram filmar em Portugal e torná-lo mais abrangente para as áreas da publicidade e audiovisual.

O incentivo fiscal a produtores estrangeiros entrou em vigor em abril e desde então a tutela recebeu apenas duas candidaturas, disse Luís Chaby Vaz, sublinhando que é preciso "fazer um esforço de lançamento efetivo da medida" em articulação com outras ações.

E deu como exemplo o trabalho das ‘film commission’ (comissões de cinema) que existem no país, estruturas que foram sendo criadas nos últimos anos, algumas com ligações às autarquias, para promover uma determinada região como destino de rodagem de produções estrangeiras.

As ‘film commission’ "não são guias turísticos para diretores de fotografia. É muito mais do que isso. É um setor económico que tem que dar respostas. As decisões de rodar em Portugal ou noutro sítio concorrente prendem-se com a nossa rapidez e clareza na captação do negócio. Só depois é que podemos enfrentar esse esforço de promoção com sucesso", alertou Luís Chaby Vaz.

O diretor do ICA disse que já fez contactos com a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) para melhorar e uniformizar a atuação das ‘film commissions’, nomeadamente com formação interna em rede e em articulação com as autarquias e o turismo.

"As rodagens são fatores de empregabilidade, ainda que temporário. Temos que fazer um trabalho de pedagogia e criar uma estrutura mais sólida de resposta", sublinhou.

Na entrevista à agência Lusa, Luís Chaby Vaz afirmou ainda que o ICA deve afinar algumas linhas programáticas de atuação para valorizar mais o cinema português, nomeadamente o Plano Nacional de Cinema, em articulação com o Ministério da Educação, e a iniciativa Cinema Português em Movimento, que chega a localidades onde não há exibição regular de filmes.

"[São] duas iniciativas meritórias, mas tenho dúvidas. São válidas, mas não tenho a certeza que estejam a correr da melhor forma e que estejam a atingir os resultados que, quando foram lançadas, as pessoas pretendiam", opinou.

Luís Chaby Vaz sublinhou que o cinema português "é pouco valorizado internamente" e devia ser motivo de orgulho.

"Parece uma excentricidade alguém no estrangeiro reconhecer que os nossos criadores têm talento. É preciso um esforço de aproximação do público nacional ao cinema que é produzido em Portugal. Isto não quer dizer infantilizar o produto do cinema, mas quer dizer formar o público e as pessoas, habituá-las a ter uma educação para a imagem e para o cinema português, diferente, mais inclusiva e mais inteligente", disse.

E rematou: "Ninguém começa a ler indo direto ao [James] Joyce, tal como se calhar ninguém deve ser confrontado com o cinema português indo diretamente a um filme do João Pedro Rodrigues, Teresa Villaverde ou Pedro Costa. Há um esforço de educação e explicação do que estamos a fazer, porque o produto português é muito bom e precisa de ser valorizado e interpretado".

Luís Chaby Vaz assumiu a 01 de junho a presidência do conselho diretivo do ICA, acompanhado de Maria Mineiro como vice-presidente, substituindo no cargo Filomena Serras Pereira.

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