Paulo Branco lamentou a morte do ator francês Michel Piccoli, anunciada esta segunda-feira (18), com quem trabalhou em seis filmes.

"É com imensa tristeza que lamento a morte de Michel Piccoli, esse 'monstro' do cinema, esse actor único. Acima de tudo, partiu um grande amigo. Uma pessoa com quem partilhei a amizade, algumas discussões, muitos risos e uma grande doçura, durante muito tempo. Vai fazer muita falta", destaca a produtor português em comunicado.

"Posso dizer que me orgulho de ter sido o produtor dos três filmes que fez como realizador, e assim ter-lhe dado a possibilidade de mostrar também o seu génio como diretor de cinema", acrescenta.

Enquanto ator, as colaborações foram em "Party" (1996) e "Vou para Casa" (2001), ambos de Manoel de Oliveira, "Genealogias de um Crime" (1997) e "Aquele Dia" (2003), de Raúl Ruiz, e "Linhas de Wellington" (2012) e a minissérie subsequente "Linhas de Torres Vedras" (2013), de Valeria Sarmiento.

Os filmes de Michel Piccoli como realizador com apoio de Paulo Branco foram "E Então" (1997), "La Plage Noire" (2001) e "C’est Pas Tout à Fait la Vie Dont J’Avais Rêvé" (2005).

Lenda do cinema francês e um dos protagonistas do cinema de Manoel de Oliveira

A morte de Michel Piccoli, aos 94 anos, foi confirmada pela a sua família à AFP.

O ator, a quem a agência de notícias francesa chama “monumento do cinema francês”, morreu “a 12 de maio nos braços da mulher, Ludivine, e dos seus filhos Inord e Missia, após um derrame cerebral”, refere a família de Michel Piccoli, num comunicado citado pela AFP.

A sua carreira passou pelos ecrãs (mais de 150 filmes) e os palcos ao longo de oito décadas, desde o final dos anos 40 até 2015.

No grande ecrã trabalhou com cineastas como Jean-Luc Godard, Luis Bunuel, Jean Renoir, Jacques Rivette, Jean-Pierre Melville, Alfred Hitchcock, Nanni Moretti e Manoel de Oliveira.

A Bela de Dia

Entre papéis como protagonista ou secundários de exceção, destacam-se vários clássicos ou títulos populares na sua época como "French Can can (1955, Jean Renoir), "Rendez-vous" (1961, Jean Delannoy), "O Denunciante" (1962, Jean-Pierre Melville), "O Desprezo" (1963, Jean-Luc Godard), "Diário de Uma Criada de Quarto" (1964, Luis Bunuel), "Páginas Íntimas" (1966, Agnès Varda), "As Donzelas de Rochefort" (1967, Jacques Demy), "A Bela de Dia" (1968, Luis Bunuel), "Diabolik" (1968, Mario Bava), "Topázio" (1969, Alfred Hitchcock), "O Estranho Caso do Inspector Max" (1971, Claude Sautet), "A Audiência" (1972, Marco Ferreri), “O Charme Discreto da Burguesia” (1972, Luis Bunuel), "A Grande Farra" (1973, Marco Ferreri), "Núpcias Vermelhas" (1973, Claude Chabrol), "Os Inseparáveis" (1974, Claude Sautet), "Entre Duas Mulheres" (1976, Claude Sautet), "Jogadas Perigosas" (1984, Richard Dembo), "Os Malucos de Maio" (1990, Louis Malle), "Marta e Eu" (1990, Jirí Weiss), "A Bela Impertinente" (1991, Jacques Rivette), "Compagna di viaggio" (1996, Peter Del Monte), "Genealogias de um Crime" (1997, Raoul Ruiz) e "Sous les toits de Paris" (2007, Hiner Saleem) e "Não Toquem no Machado" (2007, Jacques Rivette).

A Grande Farra

Da vasta filmografia fazem parte obras do realizador português Manoel de Oliveira, como "Party" (1996), “Vou para casa” (2001), "Espelho Mágico" (2005) e “Belle Toujours” (2006), este último uma sequela de "A Bela de Dia".

Rodagem de 'Belle Toujours'

O seu último papel central foi em "Habemus Papam - Temos Papa" (2011, Nanni Moretti).

Os Prémios César, os "Óscares franceses", nomearam-no por quatro vezes, mas nunca ganhou. Porém, recebeu a distinção de Melhor Ator no Festival de Cannes por "Salto no Vazio" (1980, Marco Bellocchio), e o Urso de Prata do Festival de Berlim por "Une étrange affaire" (1981, Pierre Granier-Deferre).

Habemus Papam - Temos Papa

Experimentou a realização com uma das curtas de "Contre l'oubli" (1991). Outra curta foi "Train de nuit (1994) e seguiram-se as longas-metragens "E Então" (1997), "La plage noire" (2001) e "C'est pas tout à fait la vie dont j'avais rêvé" (2005), todas co-produzidas por Paulo Branco.

“Linhas de Wellington” (2012, Valeria Sarmiento), "Holy Motors" (2012, Leos Carax) e "Vocês ainda Não Viram Nada!" (2012, Alain Resnais), estão entre os seus derradeiros trabalhos no cinema.

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