Em 2004, o canadiano
Chris Landreth ganhou praticamente todos os prémios relevantes do mundo da animação com o genial «Ryan», incluindo o Grande Prémio do Cinanima, o Grande Prémio do Festival de Annecy e o Óscar de Melhor Curta-Metragem de Animação. Agora, cinco anos depois, Landreth regressou a Espinho com o filme
«The Spine», e voltou a arrebatar o principal troféu do certame. As personagens são visualmente similares às do seu filmes anterior, com o que lhes vai na alma a transbordar organicamente para o exterior do corpo, mas desta vez com uma relação mais directa e profunda com a psicanálise, na história de um casal em processo de interdependência e auto-destruição.

Mas o filme que mais fez falar o festival foi o francês
«Logorama», de François Alaux, Hervé de Crécy e Ludovic Houplain, que conquistou o Prémio Especial do Júri. Trata-se de uma obra em animação informática cujos cenários, objectos e personagens são integralmente compostos por marcas publicitárias reconhecíveis. E por isso, apesar de ser hilariante e excepcionalmente bem feita, a sua carreira comercial não deverá ter sequência a partir da exibição em festivais, já que qualquer aproveitamento comercial do filme seria objecto de sérias represálias pelas respectivas marcas.

Com uma das melhores selecções de filmes em competição internacional dos últimos anos, que incluía ainda os premiados
«Lost and Found», de Philip Hunt,
«The Notebook», de Evelien Lohbeck, e
«Germania Wurst - German History in a Bite», um dos pontos altos da Cinanima foram mesmo os filmes portugueses presentes na cerimónia. Há muitos anos que não se via uma selecção tão vasta e tão sólida, com cada um dos 10 filmes a concorrer ao Prémio António Gaio (para o Melhor Filme Português no Festival) a evidenciar uma visão graficamente original e tematicamente arrojada e amadurecida.

O grande vencedor foi
«Mi Vida en tus Manos», de Nuno Beato, um primeiro grande troféu para a nova produtora
Sardinha em Lata que, ao bater filmes como
«Passeio de Domingo», de José Miguel Ribeiro,
«28», de José Xavier, e
«Pássaros», de Filipe Abranches, de alguma forma desautoriza o júri de selecção que não o colocou na competição internacional à imagem dos três filmes citados. «Mi Vida en tus Manos», que recupera a técnica de pintura no vidro sem recusar o auxílio da informática, aborda de forma sensível o tema da memória afectiva e da faena, com a relação de um jovem com o pai, «matador» de touros.

Novo desentendimento entre júris pode também ser inferido em relação ao filme
«O Acidente», de André Marques e Carlos Silva, vencedor do Prémio Alves Costa (votado pela imprensa), que apesar de estar na Competição Internacional não chegou ao Prémio António Gaio, situação inversa à de «Mi vida en Tus Manos». São pequenos anacronismos, cujos galardões recebidos acabaram por fazer saltar mais à vista.

No campo das longas-metragens, o vencedor foi o curioso
«Panique au Village», de Stéphane Aubier e Vincent Patar, que já tinha aberto o Festival de Annecy, e que apresenta uma pequena história cómica animada com brinquedos de plástico.

Numa edição onde houve ainda tempo para homenagear as carreiras de
Manuel Matos Barbosa e do falecido
Vasco Granja, a 33ª edição do Cinanima voltou a ser um ponto de encontro essencial para os amantes do cinema animado e para os profissionais do sector, presentes em dois encontros (um informal e o outro público) para discutir o actual estado de coisas da profissão no país.

O palmarés completo pode ser consultado no
site oficial.

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