Num momento de tensão entre Estados Unidos e Rússia sobre a estratégia da guerra na Síria, o filme estreou esta semana em Portugal e relata a verdadeira história de um advogado americano, interpretado por Tom Hanks, que consegue negociar o resgate de dois prisioneiros do bloco do leste europeu dominado pelo comunismo no final dos anos 1950.

Em 1957, o advogado James Donovan (Hanks) foi escolhido pelo seu escritório como o "bode expiatório" para defender o indefensável no Ocidente naquela época: Rudolf Abel, um espião soviético detido em território americano.

Para o governo e os sócios de Donovan no escritório de advocacia era apenas uma questão de demonstrar que o inimigo tinha o direito a uma defesa digna do nome, nada mais.

Mas ao contrário desta perceção e do que pensava a opinião pública, o advogado chega ao Supremo Tribunal, mas sem sucesso. Rudolf Abel consegue evitar a pena de morte, mas recebe uma condenação de 30 anos de prisão.

Cinco anos depois, os serviços secretos americanos solicitam a presença de Donovan, desta vez para negociar de maneira informal com os soviéticos a troca de Rudolf Abel por um piloto americano, Francis Gary Powers, cujo avião espião U-2 fora abatido na então União Soviética.

Um Contra Todos

"A Ponte dos Espiões", com uma concepção tradicional, tem uma atmosfera intimista e sem as cenas de ação que o cinema costuma atualmente apresentar.

O argumento, que teve a colaboração dos irmãos Joel e Ethan Coen, concentra-se nas relações humanas e na comunicação entre diferentes culturas.

Grande parte do filme gira ao redor de Tom Hanks, que interpreta um personagem fiel às suas convicções para conseguir transitar num universo no qual geralmente se encontra sozinho contra o mundo: os soviéticos, os alemães orientais, a CIA, os colegas, a opinião pública e, em alguns momentos, a esposa e os filhos.

O seu único cúmplice real acaba por ser Rudolf Abel, cujo carácter, integridade e humor - interpretados com grande subtileza pelo britânico Mark Rylance - terminam por cativar o advogado.

"Há algo neste personagem que Tom realmente respeitou, o facto de que seria um tipo reservado", explicou Spielberg em videoconferência a partir da Academia das Artes e Ciências Cinematográficas por altura da estreia nos EUA.

Para o realizador, Tom Hanks é, "neste filme, menos o indivíduo comum que interpretou noutros filmes".

Reservado e no início tranquilo, James Donovan revela-se aos poucos como alguém seguro de si, dono das suas emoções, mas ao mesmo tempo humano e divertido.

"A Ponte dos Espiões" está longe reinventar o género, mas consegue prender a atenção do espectador, com direito a um epílogo repleto de suspense.

Veja o trailer de "A Ponte dos Espiões".

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