A HISTÓRIA: Buck vê a sua vida feliz virada do avesso quando é subitamente arrancado da sua casa na Califórnia e levado para as florestas exóticas de Yukon do Alasca durante a Corrida do Ouro em 1890. Como o mais recente elemento da equipa de trenós puxados por cães dos Correios - e mais tarde o seu líder - Buck vive a aventura de uma vida, encontrando finalmente o seu verdadeiro lugar no mundo e tornando-se o seu próprio mestre.


A mais recente adaptação do clássico literário “O Apelo da Selva” ("O Apelo Selvagem" no cinema) é possivelmente um dos mais rotineiros bizarros filmes dos últimos tempos: com uma grande tradição de cães-atores no cinema, é estranho que sejamos confinados a um canídeo em CGI que oscila entre o (quase) imaculado virtuosismo digital e a o artificialismo dos seus exagerados movimentos.

Este Buck, uma "S1mone" de quatro patas, é assim criado para ser fiel às descrições do escritor Jack London, mas nada nos garantia uma aventura de atributos clássicos e de longo fôlego, até porque, dirigido pelo mesmo realizador de “Lilo & Stich” e “Como Treinar o Teu Dragão” (sim, duas animações), somos presenteados por um filme de família no modelo mais tradicional e contido.

Mesmo com a força dada por uma narração, nem de todo inspirada é certo, de Harrison Ford, Buck e a sua jornada carecem de portento emocional e, sobretudo, de um maior aprumo no seu dito conflito (Dan Stevens é um vilão tão "disneyficado" que até doi). Talvez seja mesmo essa criatura computorizada que nos afasta à partida de qualquer proximidade afetiva, ou a sua arrancada humanização que nos faz sentir incrédulos quanto à sua existência.

É certo, que nada de novo, nem de ‘visceral’, se encontra por aqui, apenas o facilitismo de produção e a gradual perda dos valores com que Hollywood sempre nos ofereceu enquanto espetáculo cinematográfico. Ficamos então retidos ao cão que deseja ser lobo e que, para isso, tem que sobreviver ao cruel mundo dos humanos. Enfim, mais um, pronto e esquece.

"O Apelo Selvagem": nos cinemas a 20 de fevereiro.

Crítica: Hugo Gomes

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