A HISTÓRIA: Zé Pedro, o lendário guitarrista dos Xutos & Pontapés, é a maior figura do rock ‘n’ roll português, tendo sido o seu grande impulsionador, não só enquanto guitarrista fundador da maior banda nacional de sempre, mas também através na divulgação do género como crítico de música, radialista e dono do Johnny Guitar, mítico clube lisboeta e sala de concertos, onde tantas e tantas bandas deram os primeiros passos.

"Zé Pedro Rock’n’Roll": nos cinemas a 30 de julho.


Crítica: Hugo Gomes

O produtor e realizador Diogo Varela Silva declarou que “Zé Pedro Rock’n’Roll” não é mais do que um tributo a um amigo de longa data.

Nesse sentido não há muito a dizer. O documentário fala por si, assumindo esse papel de homenagem audiovisual, persistindo num foro emocionalmente intimista que aborda o carismático Zé Pedro, da sua infância de terra-a-terra até à sua paixão pela música que lhe garantiu uma nova trajetória.  De escrever críticas musicais aos 16 anos a guardar todos e mais alguns bilhetes de concertos ou festivais, à criação de uma banda, Beijinhos & Parabéns, renomeada automaticamente para Xutos & Pontapés, dando o primeiro concerto na Sociedade Filarmónica Alunos Apolo, em 1979.

"Zé Pedro Rock’n’Roll": entrevista com o realizador do filme sobre o guitarrista "querido" dos Xutos & Pontapés
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Para além do sucesso sabido da banda, a partir daí foi a história do rock português a entrelaçar-se com a sua figura, da gestão do bar Johnny Guitar até à sua rubrica radialista de que este filme se apropria do nome.

Está tudo em “Zé Pedro Rock’n’Roll”, das tragédias às memórias, embrulhadas num gesto de carinho e de recordação com base em testemunhos (os "talking heads" tão habituais neste tipo de registo) ou material de arquivo. E com a sua alma e iluminação, as palavras do homenageado, recolhidas em entrevistas, intervenções e até confessionários de palco, preenchem este documento que tão bem alimentará a saudade dos fãs.

Por se tratar de um tributo com carácter amistoso e fúnebre, não deslumbramos uma obra que se sustenta por si própria. Não existe uma intenção de explorar ou ir mais ao fundo nas nas questões que formaram a "persona" de Zé Pedro que é constantemente descrita e citada. É uma esquematização do seu percurso com o auxílio dos amigos cúmplices.

Zé Pedro é claramente o vulto que está a ser comemorado, num filme que não vai mais além disso, e por isso mesmo, conquista à primeira. É humilde, sem pretensões para estetizar ou “sujar as mãos”. Nesses termos funciona como um réquiem alegre e sintetizado com os seus acordes. Ou seja, aqui não se não defraudam familiares, amigos, adeptos e curiosos, nem sequer aqueles que anseiam conhecer um pouco mais de quem chegou a ser eleito numa sondagem um dos portugueses mais queridos...

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