O brasileiro Max, que toca diariamente nas ruas da Baixa de Lisboa e do Chiado, não podia ter o sorriso mais largo. A Orquestra TODOS vai tocar um dos seus temas originais. “Uma pessoa às vezes batalha muito para conseguir uma banda para tocar as suas músicas… e de repente eu tenho aqui uma orquestra.”

Francesco Valente, nascido em Itália e músico dos Terrakota, foi o responsável por escolher os elementos da nova orquestra, um projeto que nasceu do Festival TODOS. Alguns são músicos profissionais, outros vieram da rua: como Max Lisboa.

A ideia nasceu há dois anos. Em 2009, quando o maestro italiano Mario Tronco trouxe a sua Orquestra di Piazza Vittorio diretamente de Roma até ao Largo do Intendente, em Lisboa, teve uma surpresa. Os que assistiam ao concerto podiam estar em cima do palco.

Após os atentados terroristas nos Estados Unidos em 2001, as autoridades italianas reforçaram as leis contra a imigração e Mario Tronco respondeu-lhes com uma ideia artística, procurando os músicos que haveria entre os imigrantes que iam chegando e que não podiam trabalhar.

Nascia a L`Orchestra di Piazza Vittorio, que já veio a Lisboa dar dois concertos e quando o Festival TODOS começou, em 2009, os programadores e Mario Tronco quiseram, mais do que transportar a ideia original para Portugal, realizar o sonho de uma orquestra lisboeta feita de imigrantes. E encontrar talentos que não se sabia que eram talentos.

Ainda sem o presidente da Câmara Municipal, António Costa, como “inquilino” no Largo do Intendente, a zona era na altura ainda mais fechada no mundo da imigração ilegal, prostituição e droga. Hoje os esforços para transformar esta “outra” Lisboa são muitos, e o Festival TODOS está na linha da frente com a arte como arma.

@Vera Moutinho

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