Único pelas suas características – desde 2010 a aldeia é fechada, conciliando, durante quatro dias, as suas vivências com o festival -, o Bons Sons regressa em ano par pela quinta vez (começou em 2006), com evidentes sinais de crescimento, como realçou hoje o seu diretor artístico, Luís Ferreira.

Dos três dias, três palcos, oito bandas e 15 mil visitantes, da primeira edição, o Festival Bons Sons 2014, que se realiza de 14 a 17 de agosto, vai passar a oito palcos e 55 concertos, esperando receber 35 mil visitantes, que podem pernoitar no parque de campismo ou no de caravanas.

A apresentação do festival decorreu hoje no largo do Rossio, que vai receber o palco Lopes-Graça, e que esta tarde serviu de espaço para um showcase com Samuel Úria e Peixe, num “cenário” composto com a presença de meia dúzia de mulheres que foram cozendo à mão as Tixas, pequenas lagartixas em feltro e lã, mascote do Bons Sons.

Conciliando projetos emergentes e consagrados, do fado ao indie-rock, da música tradicional à contemporânea, o Bons Sons arranca no dia 13 de agosto com uma “festa de receção ao campista”, com os Bons Rapazes e Fernando Alvim e os Holy Nothing, trazendo a Cem Soldos, até dia 17, nomes como Sérgio Godinho, Peixe, Samuel Úria, Noiserv (na foto), JP Simões, Gisela João, Amélia Muge, António Chaínho, Gaiteiros de Lisboa e Tocá Rufar, entre muitos outros.

A entrega dos prémios Megafone, atuação de DJ, um concerto para olhos vendados, a apresentação da revista do projeto “Identidades”, música para crianças, uma mostra de curtas-metragens, a exibição do documentário sobre música popular “Quem manda aqui sou eu”, de Tiago Pereira, o festival de artes urbanas Walk & Talk, um palco aberto a quem queira mostrar o seu talento, uma feira de marroquinarias e passeios de burro são outras iniciativas agendadas.

Promovido pela associação local, o Sport Club Operário de Cem Soldos, o festival começou por ser uma festa antes do arraial tradicional na aldeia e a sua “filosofia diferente”, a que se juntou o grande envolvimento da comunidade, “ajudou a criar escala”, como disse Luís Ferreira à Lusa.

O crescimento ditou a necessidade de fechar o espaço (a pulseira é posta nos visitantes, em cada uma das cinco entradas da aldeia), “mantendo a vivência da própria população – não é um cenário é uma aldeia real - e integrando-a neste fluxo [de população] digno de uma cidade”.

Luís Ferreira sublinhou que a realização do festival tem permitido criar competências e capacitar os membros da associação em áreas específicas – desde a parte técnica ligada à música, à comunicação, incidindo este ano a formação na área do design.

O projeto tem sido alvo de estudos por parte de universidades e deu origem a várias parcerias, como a que acontece este ano com a Walk & Talk, iniciativa de arte urbana, ou a realizada com a Câmara de Tomar e a Resitejo que permitiu, por exemplo, a redução substancial do lixo de plástico através da entrega de uma caneca a cada um dos visitantes, ou ainda a que permitirá a criação de espaços com sombra e água que atenuem o calor.

As receitas geradas pelo festival revertem para projetos que visam melhorar a qualidade de vida de Cem Soldos, como o Lar Aldeia, para apoio e integração dos mais idosos, e a Casa Aqui ao Lado (CAAL), projeto de residências artísticas e alojamento turístico.

Os Bons Sons promovem assim um entrosamento com a população que faz Henriqueta, de 86 anos, uma das “fabricantes de tixas”, confessar que gosta da animação que o festival traz à aldeia, apesar do barulho que já lhe provoca “muita confusão”.

@Lusa

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