O órgão da Igreja de S. Vicente de Fora, construído em 1765 por João Fontanes, "tem a vantagem de se encontrar em estado quase original", disse à Lusa, o seu organista titular, João Vaz.

O programa começa em abril e prolonga-se até dezembro, com concertos todos os segundos sábados de cada mês, sempre às 17h00. O concerto inaugural, no dia 11 de abril, é protagonizado pelos organistas João Vaz e Isabel Albergaria.

No dia 9 de maio, a organista francesa Sylvie Perez toca o órgão histórico de S. Vicente de Fora e, no dia 13 de junho, dia de Santo António, feriado municipal em Lisboa, o concerto é protagonizado por António Esteireiro, acompanhado pelo Coro do Instituto Gregoriano de Lisboa.

A 11 de julho, às 18h00, a única exceção no horário, toca o espanhol José Luis González Uriol, um dos especialistas da música portuguesa para instrumentos de tecla dos séculos XVII/XVIII, que regularmente se apresenta em Portugal.

No dia 8 de agosto, atua o organista Rafael Reis, que estudou órgão com João Paulo Janeiro, e é licenciado em música pela Universidade de Évora, na área específica de órgão, que também estudou com João Vaz. Atualmente é organista na Sé de Évora e na igreja de S. Francisco, naquela cidade, e professor de Órgão no Conservatório Regional de Évora-Eborae Mvsica.

No dia 12 de setembro, realiza-se durante a tarde o concerto “non-stop” com a participação de vários organistas, cujos nomes não foram ainda adiantados pela organização.

No dia 10 de outubro, toca o italiano Manuel Tomadin, de 37 anos, que, entre outros galardões, venceu em 2012 o Prémio Jovem Organista da ECHO (Organização Europeia das Cidades com Órgãos Históricos), da qual faz parte a cidade de Lisboa. Em junho de 2011 venceu o Schnitger Orgelconcours, no âmbito do Orgelfestival Holland, realizado em Alkamaar, na Holanda.

No dia 14 de novembro apresenta-se o belga Jan Vermeire, de 49 anos, que atua na capital portuguesa depois de uma digressão pelos Estados Unidos, e da realização de um recital na Igreja de São Martinho Arnèke, no norte de França, com Borgan Nesterenko.

João Vaz encerra o ciclo com um concerto, no dia 12 de dezembro, em que é solista o cornetista Tiago Simas Freire. João Vaz, sem adiantar o programa do recital, referiu que o Órgão de S. Vicente teve "uma intervenção de restauro de pouca monta em finais do século XIX e novamente no século seguinte", em 1956/57 e, depois, em 1977.

A última intervenção, mais profunda, foi concluída em 1994, por Claudio e Christine Rainolter, e repôs materiais originais.

Segundo João Vaz, este é "um dos mais importantes e representativos instrumentos barrocos portugueses".

Como explicou, o órgão, de tipologia ibérica, "possui duas secções independentes, órgão principal e órgão de eco, a que correspondem dois teclados manuais de 47 teclas".

O órgão ibérico diferencia-se de outras tipologias, desde logo pelas trombetas em chamada, isto é, na horizontal, que não se encontram noutras partes da Europa, e possui habitualmente um único teclado, sendo possível encontrar exemplares com dois. O teclado divide-se em duas secções, baixos e tiples, ou mão esquerda e mão direita. O número de teclas é inferior ao dos órgãos modernos.

A Igreja de S. Vicente de Fora tem sido cenário regular de concertos, que, segundo a mesma fonte, “estão quase sempre esgotados, havendo necessidade de recorrer a cadeiras extra”.

Os quatro concertos do IV Ciclo de Concertos de Órgão, que decorreu de setembro a dezembro últimos, foram aplaudidos “por cerca de 5.000 pessoas”, segundo a mesma fonte.

@Lusa

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