“Somos das poucas lojas que ainda sobrevivem. Sobrevivemos um pouco por muita persistência e não termos que depender única e exclusivamente da loja para sobreviver, senão seria impossível manter o negócio”, disse à Lusa um dos donos da Flur, José António Moura, no Dia Mundial da Música.

Mas não foi essa a única razão que permitiu manter abertas as portas da loja com vista para o rio Tejo, perto da discoteca Lux. “Em anos mais recentes, algumas pessoas começaram a ganhar um certo carinho por negócios mais pequenos, locais e independentes”, afirmou.

No início da década, José António Moura e os outros fundadores da loja já trabalhavam com música. “Vimos ali uma oportunidade de abrir um negócio independente, mantendo a ligação com música e discos, mas deixando de trabalhar para outras lojas e outras entidades e abrindo um negócio próprio”, lembrou.

O conceito que tinham para a música que iriam vender na loja há dez anos não é o mesmo de hoje, até porque “na altura havia mais lojas de discos em Lisboa e a oferta era relativamente alargada”.

“Aquilo que procurámos fazer foi colmatar algumas das falhas que sentíamos que existiam no mercado de discos, nomeadamente numa área de música mais eletrónica, mais experimental por um lado e mais dançável por outro. Começámos por tentar preencher essa lacuna”, referiu José António Moura.

Os gostos e os mercados foram mudando e os donos da loja obedeceram a duas regras: o gosto pessoal de quem ali trabalha e o mercado.

“Tentamos segundo os nossos gostos e aquilo em que acreditamos: Respeitar as mudanças do mercado para oferecer o que é mais procurado nessa altura”, disse José António Moura.

Além de vender discos, a Flur é também distribuidora, quer isto dizer que representa editoras em Portugal.

Ao longo de dez anos o momento mais complicado vivido no negócio é “este”.

“Descontando os primeiros anos, que são sempre aquela incógnita se vamos conseguir pagar empréstimos e implantar o nosso nome no mercado, os momentos complicados estamos a senti-los agora”, referiu José António Moura.

A explicação encontrada é “a conjuntura”. “O negócio dos discos não está saudável em parte alguma e Lisboa não é exceção”, disse.

Apesar disso, continuam a ter clientes, talvez por terem uma “oferta mais específica e variada, não em quantidade mas em qualidade” e “a capacidade de estar mais em cima de coisas diferentes”.

“A localização da loja foi mera oportunidade”. A discoteca Lux, que tinha aberto naquela zona três anos antes, pareceu na altura “uma vizinhança simpática”.

É à “nave mãe” do cais de Santa Apolónia e aos outros negócios que entretanto ali se instalaram, que a Flur se une no dia 12 de outubro para assinalar o décimo aniversário.

“O conceito parte da 'nave mãe' da zona, o Lux, que propôs uma celebração conjunta do aniversário em modo mais económico possível”, revelou, adiantando que “não vai haver uma grande produção, será tudo um pouco baseado na reciclagem de materiais utilizados em anos anteriores”.

Os negócios “têm liberdade para celebrarem como quiserem, passando nem que seja apenas por estarem abertos” durante o “horário oficial” da festa (das 22:00 às 06:00).

@Lusa

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