Chris Martin sempre conseguiu manter a sua vida privada fora dos holofotes e apesar do casamento com uma das maiores estrelas de Hollywood, pouco ou nada se foi sabendo sobre a sua relação com Gwyneth Paltrow. Daí que a notícia da separação tenha caído como uma bomba. O final da relação serviu, no entanto, de inspiração para “Ghost Stories”, a terapia de quem acabou de perder um amor e ainda não percebeu muito bem o que aconteceu. Podemos até dizer que se trata de um álbum conceptual, numa viagem dentro da cabeça (e do coração) de quem lida com a separação.

A caminhada começa em “Always in My Head”. Chris Martin começa por cantar “I think of you/ I haven’t slept”, para chegar ao refrão em que repete “You’re always in my head”. Um lamento mais direto era difícil.

Em “Magic”, primeiro single, continuamos numa toada midtempo. É uma canção densa, com muitas melodias suaves e carregada de tristeza. Martin volta falar do coração sem esconder o que sente: “I just got broken/ Broken in two” ou “I donk know/ I don’t want anyone else but you” são exemplificativos disso mesmo. “Magic” é um excelente tema, um dos melhores do disco.

“Ink” reforça a ideia de um álbum carregado de blues - não propriamente o estilo musical, mas o sentimento. As letras continuam a ter tanto peso quanto as melodias que as rodeiam: “All I know is that I love so much it hurts”.

Como quase tudo na vida, até a perda é um processo e “Ghost Stories” retrata esse processo. Em “True Love” tudo parece ser tão recente que Martin canta (e suplica) "Tell me you love me/ If you don't, then lie".

E a viagem continua, sempre midtempo, com muitas referêcias eletrónicas, especialmente nas baterias programadas. Alguns momentos aproximam-se dos primeiros discos da banda, como “Oceans”, em que encontramos a voz de Martin acompanhada por uma guitarra acústica.

A jornada termina em “O” e é aqui que é feita a despedida constantemente adiada. “Fly on/ Ride through/ Maybe one day I’ll fly next to you”.

Em “Ghost Stories” não vamos encontrar os Coldplay como os conhecíamos: não há hinos pop, refrãos que pedem para ser remisturados por DJs e candidatos a hits de verão. A exceção é o terceiro single “A Sky Full of Stars”, que contou com a ajuda de Avicii e é mesmo o tema mais fraco do disco.

Este é talvez o álbum de que Chris Martin precisa, mas será um disco que a banda e os fãs vão recordar? Talvez seja um ponto de viragem na sonoridade da banda, um momento único a propor uma renovação.

“Ghost Stories” não tem a energia habitual dos registos dos britânicos, deixando-nos curiosos sobre como vão soar estas canções ao vivo, já que estão longe de ser canções de arenas, antes de espaços intimistas.

O álbum foi co-produzido pela banda e por Paul Epworth, juntamente com os regressados produtores Daniel Green e Rik Simpson, que trabalharam com o grupo em “Mylo Xyloto”. Mas apesar da considerável ficha técnica, corre o risco de ser colocado no mesmo patamar que “X&Y” (2005), visto por muitos como o pior disco dos Coldplay.

Não o encaramos dessa forma, uma vez que há por aqui muito para apreciar com o tempo, e só o tempo o poderá posicionar na excelente discografia da banda. Mas desejamos, ainda assim, que estes fantasmas rapidamente se afastem de Chris Martin.

@Edson Vital

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