“Desinibida” é, provavelmente, o tema menos interessante deste disco. Reconhecemos leves reminiscências de “Efêmera” ao nível da temática, mas a melodia não faz jus aos arranjos que se podem encontrar no resto do álbum. É, porém, um tema digno de fazer parte da banda sonora de um qualquer filme que termine com os protagonistas em direção ao pôr do sol.

Com uma dicção perfeita e lado a lado com Lulu Santos, chega-nos “Dois Cafés”, o poema cantado mais rico deste disco. Esta não é a única participação em “Tudo Tanto”, que contou também com a presença de Kassin, Criolo, SP Underground e com a produção de Gustavo Ruiz, irmão da cantora. É na ansiedade de que "o inesquecível aconteça", como diz o refrão do oitavo tema deste trabalho, que nos mantém todo o novo disco de Tulipa Ruiz.

Em “Expectativa”, a cantora afirma que não se esquece do que está feito, mostrando-se porém recetiva ao que ainda está por vir. É assim que deve ser ouvido este álbum, com uma postura aberta ao experimentalismo - longe da coesão temática e musical apresentada em “Efêmera”, mas passível de surpreender a cada momento.

Tulipa arriscou, é um facto, mas esteve longe de falhar. Lançou-se de peito aberto num novo universo, distante daquilo que fez anteriormente, talvez consciente de que seria impensável voltar a arrebatar o público utilizando os mesmos moldes, aqueles que criaram um disco de estreia digno da sua individualidade e do seu tempo.

@Inês Alves

"Tudo Tanto" está disponível para download gratuito no site oficial de Tulipa Ruiz

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