"Não é uma programação fácil, porque não é muito convencional", reconhece o diretor artístico, Miguel Sobral Cid, explicando que, este ano, os concertos do festival foram escolhidos "precisamente porque questionam".

Ao longo de um mês, as duas principais salas de espetáculo de Leiria recebem "concertos em que há um desafio". "Há um questionar da ordem estabelecida, do que é a convenção da música dita clássica", sublinha Miguel Sobral Cid, sugerindo que, durante a audição, o público questione o seu papel e o seu lugar.

"Cada vez mais somos confrontados com a ideia de que devemos encontrar-nos no nosso espaço, devemos manter-nos no nosso espaço... E, afinal, o que é isto de estarmos no nosso espaço?", interroga, exemplificando: "Alguma coisa acontece no noutro lado do mundo e em segundos temos conhecimento do que aconteceu, através da velocidade vertiginosa da informação. Aí, deixamos de 'estar' no nosso espaço e passamos a 'estar' nesse espaço".

Em 2014, o Festival Música em Leiria reflete também as dificuldades que o país atravessa: é mais pequeno do que o habitual e resume-se a Leiria, sem concertos nos concelhos vizinhos. "É a jóia da coroa da casa, mas não pode beliscar o orçamento do Orfeão", justifica o presidente da direção, Acácio de Sousa, que promete um festival com "a mesma dignidade e prestígio, apesar de mais curto e barato".

O festival começa dia 30 de maio, com "Percurssive Sung Songs", performance arrojada do percussionista Nuno Aroso e da cantora Rita Redshoes.

Dia 8 de junho atuam o Coro do Orfeão de Leiria, o Coro de Câmara do Orfeão de Leiria, o Royal Voices Choir e a Orquestra Sinfónica de Leiria, interpretando o "Requiam", de Fauré, e obras inéditas de compositores do conservatório que organiza o festival.

A Camerata Atlântica toca "Fuga para a América Latina" no dia 14 de junho, enquanto o projeto PortuGoesas se apresenta no festival de Leiria no dia 19 de junho, com um repertório baseado no cancioneiro de Goa.

A Orquestra Filarmonia das Beiras faz a sua apresentação no Música em Leiria a 21 de junho, com um programa que liga Richard Wagner a Aaron Copland.

A pianista Joana Sá apresenta a Leiria "Elogio da desordem", em piano semi-preparado, no dia 26 de junho.

A fechar o festival, a 28 de junho, a Companhia Olga Roriz leva a Leiria uma versão de "A sagração da Primavera", de Igor Stravinsky.

@Lusa

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