Os Guns n' Roses já não são o que eram. A banda norte-americana, que marcou o panorama musical na década de oitenta e noventa, regressou aos palcos nacionais para apresentar o álbum "Chinese Democracy" e tocar temas que marcaram várias gerações de fãs.

Sem Slash, Izzy ou Duff em palco, os Guns de Axl cumpriram com os mínimos, numa noite onde não houve polémicas com amuos de Rose.
Com o vocalista a segurar o legado de uma das bandas mais influentes nas últimas décadas, os novos Guns n' Roses subiram ao palco e abriram as hostilidades da noite com o tema homónimo do novo álbum. Axl Rose demonstrou estar em boa forma física mas a canção não conseguiu fisgar o público à primeira.

Os acordes de "Welcome to the Jungle" começaram então a vibrar na sala, por entre improvisações dos guitarristas, e com o seu famoso grito, Axl Rose teve a primeira grande ovação da noite, numa prestação técnica exemplar dos músicos, que tocaram os solos de Slash com uma precisão cirúrgica.

Seguiram-se as canções "It’s So Easy" e "Mr. Brownstone", do álbum "Appetite for Destruction". A sequência de canções transportou os presentes, por breves minutos, para a década de oitenta quando os Guns n' Roses eram apelidados de “banda mais perigosa do planeta”. Neste momento, o público estava com o grupo depois de uma entrada em falso.

Os temas "Sorry" e "Shackler's Revenge", do novo álbum, não tiveram o mesmo impacto no público, que aplaudiu com indiferença após boa prestação técnica da banda. O solo de "Shackler's Revenge" foi tocado quase na perfeição pelo guitarrista Bumblefoot mas o público queria as canções nostálgicas dos Guns.

A pirotecnia de "Live and Let Die", a balada "This I Love" e o clássico "Rocket Queen" voltaram a agarrar o público na plateia e nas bancadas. Axl Rose deu ares da sua graça e, correndo pelo palco, foi tentando aguentar a energia dos espectadores, que esmorecia sempre que a banda tocava um tema do novo álbum.

Por entre trocas de indumentária de Axl Rose, a banda ia improvisando alguns acordes como prelúdio de clássicos do grupo. As canções clássicas dos Guns n' Roses foram exemplarmente executadas e a única margem de criatividade e de apresentação dos novos elementos da banda era registada nos momentos de improvisação.

E foi num dos momentos de improvisação de DJ Ashba Guitar que o público foi brindado por uma das canções mais marcantes do repertório dos Guns n' Roses. As notas musicais de "Sweet Child O' Mine" ecoaram na sala e nas memórias dos presentes, num dos melhores momentos da noite. Axl Rose reviveu todos os momentos de glória passada com o público a cantar o tema em coro.

Aproveitando o bom momento, o vocalista sentou-se ao piano para também ele improvisar num instrumento. Os acordes da balada "November Rain" captaram a atenção do público que em uníssono cantou a canção até ao fim. Os isqueiros e as máquinas digitais deram um brilho especial à sala com o solo final de guitarra a trazer memórias de Slash em cima do piano.

Após o clima intimista proporcionado por Axl Rose, seguiram as canções "Better", "Knockin' On Heaven's Door", "Nice Boys", "I.R.S." e "Nightrain". Na primeira, Axl Rose fez um comentário sobre a questão dos direitos de autor e lembrou que a banda tem de pagar uma percentagem a Bob Dylan sempre que toca o tema ao vivo.

Em jeito de despedida, a banda tocou no encore os clássicos "Don't Cry", "Patience" e "Paradise City". "Madagascar", do álbum "Chinese Democracy", e a cover dos AC/DC "Whole Lotta Rosie" completaram o set da noite.
Os Guns n' Roses cumpriram os mínimos num concerto onde houve alguns bons momentos. Axl Rose, conhecido por atrasos e por birras em palco, apresentou-se calmo e sereno no Pavilhão Atlântico. O maior problema a apontar foi a falta de dinâmica no alinhamento das canções.

Se por um lado o público vibrava com clássicos, como "It´s so Easy" ou "Sweet Child o Mine", já não se pode dizer o mesmo com os temas do novo álbum. Após os entusiásticos aplausos nos temas antigos, o público silenciava quando a banda tocava um novo tema de "Chinese Democracy", quebrando a ligação e a empatia.
Enfim, Axl Rose conseguiu o que queria. O vocalista é a personificação viva dos Guns n' Roses, apesar do vazio que se sente em palco com as ausências de Slash, Izzy, Duff e Steven Adler. O nome da banda pode pertencer legalmente a Axl Rose, mas a música e a mística do grupo será sempre relegada para a formação clássica.

Texto @Eduardo Santiago

Fotos @Paulo Guerrinha

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