"Palácio", editado segunda-feira, assinala a estreia discográfica de um guitarrista de 31 anos que tem formação em arqueologia, integra bandas de hard rock, como If Lucy Fell, e tem em Carlos Paredes uma das referências.

O álbum, gravado num prédio antigo de Lisboa, inclui onze composições inéditas tocadas em guitarra acústica e que colocam Filho da Mãe em águas próximas dos músicos Norberto Lobo e Tó Trips, e mais longe de Ricardo Rocha e Carlos Paredes.

Rui de Carvalho está atualmente deslocado em Torres Novas, a trabalhar com uma equipa em escavações nas grutas da nascente do Almonda, um "sítio interessante que tem uma longa diacronia do paleolítico médio" e com vestígios de ocupações humanas.

Num intervalo entre escavações, Rui Carvalho falou à agência Lusa sobre essa ambivalência entre a arqueologia e a música, dois universos que só se tocam, disse, apenas pelas mãos.

"Gosto de mexer na terra com a mesma intensidade com que toco na guitarra", afirmou.
Desde há cinco anos que o dia-a-dia é passado dentro da gruta ou em laboratório. O tempo que resta é para a música.

Filho da Mãe começou a ser falado e conhecido mais ou menos há um ano, quando Rui Carvalho decidiu recuperar a guitarra acústica, para lá do que faz com a elétrica nos If Lucy Fell e I Had Plans.

Tudo o que compôs no último ano está em "Palácio", espelho dessa relação de "amor-ódio" com a guitarra acústica, que diz ainda nao dominar. Nem é essa a intenção para quem se diz autodidata, mas obsessivo em repetir e repetir até soar perfeito.

"Aquilo que me preocupa mais neste momento é conseguir passar aquilo que estou a sentir, porque estou a tocar sozinho, sem letra, sem voz. Era absolutamente lindo que eu conseguisse pôr quase toda a gente a pensar na mesma coisa, isso quer dizer que teria tocado de modo perfeito", explicou.

Filho da Mãe assume Carlos Paredes como uma referência, mesmo no som hard rock dos If Lucy Fell.
"Acho que se ouve essa portugualidade na forma de tocar. Filho da Mãe é um desafio. Essa ansiedade, aquela eletricidade que se sente, com raiva e algumas explosões, acho que se ouve na música", afiirmou o músico lisboeta.

"Palácio" será apresentado oficialmente no dia 19 no Clube Ferroviário, em Lisboa, e no dia 26 no Bodyspace Au Lait, no Porto.

Sobre os próximos anos, Rui de Carvalho disse que não pode deixar de ser Filho da Mãe.
"Possivelmente é a coisa mais estável e coerente que faço. É uma coisa pessoal que eu preciso muito de fazer. Se fizer ao vivo melhor ainda, se tiverem pelo menos duas pessoas óptimo", admitiu.

@Lusa

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