Desde quese estreou nos palcos em 2008, o percurso de Nicolas Jaar tem sido em ascensão. O norte-americano com origens chilenas é já um fenómeno de culto. Que o digam as três suecas que viajaram para a Zambujeira do Mar para - não só, mas também - ouvir o estudante de literatura de 22 anos.

Filho do realizador de cinema Alfredo Jaar e de uma bailarina profissional, o jovem artista sabe o que quer. Não hesita em recusar parcerias com figuras proeminentes da música internacional, se acha que não vão acrescentar nada de novo. A sua prioridade são os concertos. O seu desafio é o público.

Jaar é controverso, não gosta de CD's porque são baratos, lucrativos e servem as necessidades do sistema capitalista, uma doutrina que destrata a música. E a música é preciosa. Não é apenas entretenimento. É arte.

Na sua arte, o veículo é a Eletrónica, sem Techno, com influências de Jazz, Dub, Reggae e, em particular, do grupo de música inglês Autechre. O resultado é um underground eclesiástico. Nicolas não fuma, não se deixa conquistar pelo café e nas suas digressões só há direito a vinho tinto. As drogas não fazem, de todo, parte do seu léxico.

Festivaleiros aprovaram

Na Herdade da Casa Branca, na sexta-feira, o músico ainda não tinha pisado o palco Groovebox e já se ouvia falar no seu nome com insistência. Nico. Nicolas. Jaar. Ou Nicolas Jaar.

Atrás da cortina de fumo surge o músico.O jovem com cara de miúdo agradeceu logo a presença do público, para depois lançar sons que estão a despertar os ouvidos das salas de música de Nova Iorque, Londres, Berlim, Copenhaga e Barcelona.

Na Zambujeira do Mar, o público, com copo de cerveja mão e de olhos no músico, dançou ao som de algumas músicas do álbum de estreia - Space is Only Noise. Um trabalho melancólico, ruminante eblue-wave, como o próprio descreve.

Uma mistura de sons dramáticos a fazer lembrar um dia de chuva, acompanhada pelos dois músicos - na guitarra e saxofone -, deu início ao espetáculo e evoluiu para temas como "Space is Only Noise If You Can See" e "Mi Mujer".

Entre o computador portátil e dois teclados, o norte-americano que quer acrescentar à eletrónica o cerne da música erudita, entusiasmou o público e comandou o corpo de quem o via e ouvia.

Ficou por ouvir o tema "El Bandido".

Texto: Nuno de Noronha

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