Paulo Jobim, que dirige a fundação, foi o responsável pela digitalização do acervo que conta com documentos que vão desde manuscritos de canções, contendo alterações e correções do próprio autor, cartas de amigos e reportagens publicadas na imprensa nacional e estrangeira.

Aos portugueses interessarão os itens relacionados com momentos em que Chico Buarque passou por Portugal, além das obras que fazem referência a episódios específicos da história dos dois países.

“Chico Buarque acaba de receber proposta para apresentar-se em Portugal onde receberá 3 milhões de cruzeiros por uma apresentação. Há dias ele foi entrevistado por uma jornalista portuguesa, que foi agora, através da carta, a autora do convite”, diz uma nota publicada em 1960.

Já na década de 1980, algumas fotos mostram Chico numa passagem por Lisboa na digressão do show “Francisco”, enquanto outras, ao longo dos últimos 30 anos, revelam Chico Buarque em mais uma de suas facetas – a de jogador de futebol.

Com camisola ora verde, ora vermelha, no estádio do Futebel Clube do Porto ou do Benfica, Chico Buarque foi retratado em pelo menos quatro jogos amistosos diferentes nas quais aparece sorridente e muito à vontade em relvados portugueses.

Também dos anos 80, uma entrevista concedida ao jornal “Sete” ocupa duas páginas inteiras, nas quais Chico Buarque comenta uma estadia em Lisboa para o espectáculo realizado na Festa do Avante!, promovido pelo Partido Comunista Português.

Um cartão de natal, enviado ao cantor pelo amigo Ruy Guerra, em dezembro de 1982, faz alusão à canção “Tanto Mar”, que cita indiretamente a Revolução dos Cravos, e que foi censurada no Brasil, pela ditadura militar.

O tema “Tanto Mar” chegou a ser gravado em Portugal em 1975, enquanto era proibido no Brasil. Mais tarde, entrou no disco “Chico Buarque & Maria Bethânia ao vivo”, mas apenas na versão instrumental.

Três anos depois, quando a letra foi finalmente autorizada para reprodução no Brasil, a situação em Portugal já era outra, o sentimento de euforia tinha mudado. Chico Buarque refez então algumas estrofes para lançar a segunda versão da canção que chegou ao público em 1978.

Num manuscrito enviado a Chico Buarque, Guerra mostra-se interessado numa das canções do álbum “Calabar”, escrito para uma peça teatral com o mesmo nome, que se passa na época das invasões holandesas em Pernambuco, no século XVII.

O álbum, de 1973, é o mesmo onde se pode encontrar a canção “Fado Tropical”, outra menção direta a Portugal, desta vez em tom de ironia.

As estrofes que dizem : “Esta terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso Portugal”, soaram, à época, uma ofensa por estar Portugal então debaixo do regime de Marcelo Caetano.

No lote dos documentos mais recentes, figura ainda o contrato firmado entre Chico Buarque e a editora Dom Quixote, por intermédio da Companhia das Letras, para a publicação o livro “Estorvo”, em Portugal.

Site do Instituto Tom Jobim

@Lusa

Chico Buarque - "João e Maria":

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