Na semana passada o vocalista dos Odd Future, Frank Ocean, publicou uma longa carta online, onde revelou que o seu primeiro verdadeiro amor foi outro homem: “Quando me apercebi que estava apaixonado, era maligno. Sem escolha. Foi o meu primeiro amor, mudou a minha vida”. Ocean é a primeira grande estrela do mundo do hip-hop a abrir-se sobre a atração por pessoas do mesmo sexo. Muitas outras estrelas assumiram a sua homossexualidade no passado, enquanto que outras, como David Bowie, clarificaram ou retiraram declarações nesse sentido.

Elton John

Em 1976, num artigo de capa da "Rolling Stone", Elton John contava ao jornalista Cliff Jahr que era bissexual. “Não há nenhum mal em ir para a cama com alguém do mesmo sexo”, afirmou John. “Eu acho que todas as pessoas são bissexuais até certo ponto…quero dizer, o que é que importa! Eu só acho que as pessoas devem ser liberais em relação ao sexo – devem estabelecer o limite nas cabras”. O impacto imediato na sua carreira é difícil de analisar, já que as vendas dos álbuns de John já tinham começado a decrescer no ano anterior com o lançamento do “Rock of the Westies”, mas a notícia chocou muitos fãs, acredite-se ou não. “Como um fã devoto de Elton John, lamento ser informado sem necessidade que o meu ‘herói’ é bissexual”, escreveu um fã intolerante para a revista "Rolling Stone", após o lançamento do artigo.

Ricky Martin

Durante uma entrevista com Barbara Walters em 2000, Ricky Martin foi pressionado a assumir as suas preferências sexuais – ao que se recusou. No entanto, uma década depois, em março de 2010, o cantor latino colocou a seguinte mensagem no seu site oficial: “Tenho orgulho em afirmar que sou um homem homossexual sortudo. Sou abençoado por ser quem eu sou". Recentemente, o cantor declarou à "NPR" que se teria assumido há mais tempo setivesse previstoa reação positiva que recebeu dos media e dos seus fãs.

Brandi Carlile

A cantautora Brandi Carlile comentou a sua sexualidade durante uma entrevista ao "L.A. Times". “Eu espero que algures, numa pequena cidade americana, uma criança de 15 anos olhe para mim como um exemplo da mesma forma que eu olhei para as Indigo Girls e Elton John. Espero ainda que elas reconheçam que a razão pela qual não tenho de ser muito formal sobre o assunto, a razãopela qual não tenhode demonstrar as minhas emoções a todos e fazer disto um espetáculo, se deve às pessoas que prepararam o caminho para que eu não o tivesse de fazer”.

Adam Lambert

A teatral estrela de glam-rock esteve muito próxima de vencer os Ídolos americanos em 2009, o que o tornaria no primeiro vencedor gay do programa, mas Lambert terminou na segunda posição, e apenas assumiu as suas preferência sexuais quando o programa terminou. “Acho que não é surpresa para ninguém ouvir que sou gay”, afirmou o cantor para um artigo de capa da "olling Stone". As fãs do cantor ficaram devastadas, mas prometeram apoiar o seu ídolo, apesar das novidades.

George Michael

George Michael foi preso em Beverly Hills, decorria o ano de 1998. O músico foi acusado de praticar “atos obscenos” com outro homem numa casa de banho pública. Uma semana depois, o cantor revelou, durante uma entrevista para a estação televisiva "CNN", que era gay. “Não sinto qualquer vergonha”, afirmou Michael. “Sinto-me estúpido, imprudente e fraco por permitir que a minha sexualidade tenha sido exposta desta forma. Mas não sinto vergonha alguma”.

Michael Stipe

O vocalista dos R.E.M. revelou publicamente a sua orientação sexual em 2001 numa entrevista para a revista "Time", mas os media não deram atenção à história até que Stipe decidiu falar abertamente sobre o tema na revista "Spin" (abril de 2008): “Foi super complicado para mim nos anos oitentas, eu era completamente franco com a banda, com a minha família e, certamente, com as pessoas com quem dormia. Eu achava que era bastante óbvio”. Os R.E.M. deram por terminada a sua longa aventura o ano passado, após o lançamento do seu 15º registo de originais, “Collapse Into Now”.

Rob Halford

O líder dos Judas Priest assumiu a sua homossexualidade na "MTV", em fevereiro de 1998. Em 2010, numa entrevista para a "NME", desafiou a noção de que o estilo musical heavy metal era um género intolerante: “Existem áreas da música onde existe mais compaixão, mais tolerância, mais abertura.. O que eu acho que consegui foi desconstruir o mito de que as bandas de heavy metal não tem essa capacidade. A bandafez uma digressão de despedida em 2010.

Pete Townshend

O caso de Townshend é diferente dos outros nesta lista. Durante uma entrevista em 1990 com Timothy White, o guitarrista dos The Who pareceu querer assumir-se como homossexual: “Eu sei como se sentem as mulheres porque eu sou uma mulher”. No entanto, alguns anos depois, numa entrevista para a revista "Playboy", o músico – que estava casado com uma mulher nessa altura – clarificou as suas declarações, afirmando: “O que queria dizer era, na verdade, sobre os amigos que eu tinha que eram gays. O entrevistador confundiu o que queria dizer e percebeu que eu me queria assumir, o que na verdade não estava a fazer”.

Kele Okereke

O vocalista dos Bloc Party passou anos a evitar as perguntas dos jornalistas sobre a sua sexualidade, até que se assumiu como gay em 2010, numa entrevista para a revista "Butt": “Os meus pais são super católicos, e vieram de uma cultura na Nigéria onde não existiam sinais visíveis de pessoas gays assumidas e felizes. Os meus pais estão a ficar mais velhos e eu não gostava da ideia de que pudessem morrer sem saber uma parte tão importante da minha vida”.

Lance Bass

O cantor dos 'N Sync assumiu a sua homossexualidade a julho de 2006, num artigo de capa para a revista "People", no qual admitiu manter a sua sexualidade escondida para não ofuscar a popularidade da banda.

David Bowie

David Bowie fez correr muita tinta em 1972 ao assumir-se como homossexual durante uma entrevista à revista inglesa "Melody Maker": “Sou gay e sempre fui, mesmo quando era o David Jones”. As suas afirmações não lhe custaram descidas nas vendas de “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” e Bowie tornou-se num dos mais bem sucedidos artistas da década. No entanto, o músico veio dar o dito por não dito numa entrevista à "Rolling Stone", em 1983. “O maior erro que alguma vez cometi foi afirmar ao jornalista da Melody Maker que era bissexual. Cristo, era tão novo nessa altura, estava só a experimentar”.

Fonte: Rolling Stone

Paulo Costa