Depois de assinar três EPs ou de colaborar, entre outros, com Legendary Tigerman em "Femina" (num tema incluído na versão em vinyl do disco), Rita Braga editou esta semana o seu primeiro álbum. Um álbum que, além de uma viagem musical - com um regresso às sonoridades dos anos 1920 -, deixa também um contraste geográfico - com canções cantadas em inglês, português, grego e russo.

Gravado entre Lisboa, Filadélfia, Ghent, Los Angeles e Buenos Aires, "Cherries That Went To The Police" junta versões de temas que já contam com quase um século de existência - a única exceção é "Rockin' Back Inside My Heart", de David Lynch e Angelo Badalamenti - e cujas origens díspares não comprometem um alinhamento sem crises de identidade.

A voz de Rita Braga e o ukulele, o seu instrumento de eleição, são o ponto de partida. "Tive apenas formação em piano. Na guitarra, voz ou ukulele fui autodidata. Maioritariamente toco ukulele: gosto muito da sonoridade, é um instrumento fácil de transportar e como toco quase sempre a solo é prático montar um espetáculo com ele", conta a cantora e multi-instrumentista ao SAPO Música.

Com o ukulele na bagagem, tem andado a cantar e a tocar além fronteiras, como nas três digressões nos EUA ou na mais recente, na Europa. Ou ainda numa visita à Sérvia que reforçou o seu interesse pela folk dos países de Leste, um dos ingredientes de "Cherries That Went To The Police" - ao lado de torch songs despojadas, ambientes jazzye western, ecos de Hollywood e Bollywoode até uma canção tradicional portuguesa ("A Lira").

Se o disco reflete sobretudo um imaginário de inícios do século passado, Rita mostra-se uma ouvinte atenta a outras referências: "No verão redescobri os Doors, que já não ouvia há muito tempo. Tenho ouvido muito o «Morrison Hotel». E deram-me uma antologia completa dos The Mamas& the Papas, portanto ando numa fase muito californiana. Estive agora um mês e tal em São Francisco e Los Angeles a tocar e realmente há muita música ali".

Ao contrário de outros artistas que se estreiam em disco, Rita já está mais do que familiarizada com os palcos. Um dos próximos que vai pisar é o do Teatro do Bairro, em Lisboa, a 15 de outubro, onde apresentará "Cherries That Went To The Police", e desta vez o concerto conta com alguns convidados: o clarinetista Chris Carlone, Nik Phelps (colaborador de Tom Waits ou Frank Zappa), Rui Dâmaso (dos Loosers) - todos também presentes no álbum - "e outros nomes a confirmar". Se se mantiver como até aqui, a viagem segue depois por outros bairros, outros palcos e, muito provavelmente,outros continentes e idiomas.

Texto, entrevista e edição @Gonçalo Sá/ Imagem @Edson Vital

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