O caso de amor entre Silva e Portugal já vai longo e os votos foram renovados no passado fim de semana. O cantor brasileiro regressou para dois concertos - no Porto, o artista atuou na Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota e, em Lisboa, subiu ao palco do Sagres Campo Pequeno.

Um ano depois da última visita, Silva preparou dois concertos especiais para os fãs que vivem em Portugal. Na primeira parte dos espetáculos, o brasileiro embalou o público com temas como "Brisa", "Feliz e ponto", "Duas da Tarde", "Fica Tudo bem" (com Anitta), "Beija Eu" ou "Tudo o que eu quero", o seu novo single, apresentado pela primeira vez ao vivo no Porto.

Já no segundo ato, o músico fez o público saltar das cadeiras e dançar ao som de "Você Não Entende Nada", de Caetano Veloso, "Não Enche", "Uma Brasileira" ou "Nossa Gente (Avisa Lá)", de Olodum. Para o encore, Silva guardou "Sorte", de Gal Costa, e "Cor é Rosa".

No final do concerto na Super Bock Arena - Pavilhão Rosa Mota, no Porto, e antes de seguir viagem para Lisboa, Silva recebeu o SAPO Mag no seu camarim. Relaxado e de sorriso no rosto, o cantor começou por confessar que tinha saudades de Portugal e que, por sua vontade, visitava o país todos os anos.

"Já tinha muitas saudades. Fiquei com medo de não rolar este ano... Falo todos os anos com o meu irmão, que é o meu empresário: 'vamos a Portugal, Portugal, Portugal! Como é que fazemos? Vamos a algum festival?' E estava com muitas saudades de fazer concerto a solo aqui. No ano passado, fiz aqui no Porto, só Porto, e em Lisboa foi festival. Então, desta quis concerto a solo aqui e em Lisboa", confessa o músico brasileiro.

SILVA
créditos: Hick Duarte

A estreia de Silva em Portugal foi em 2013, há 10 anos, no Mexefest, em Lisboa: "Foi o meu primeiro festival fora do Brasil. Nunca tinha tocado aqui e a minha carreira era muito recente - foi no final de 2013, já tinha o meu primeiro álbum, já tinha tocado em alguns festivais no Brasil e, então, vim para aqui e fiquei a morar em Lisboa três meses. Estava a fazer o meu segundo álbum, o 'Vista pro o Mar'".

E a vista de Lisboa inspirou todo o segundo disco, que conta com canções como "Janeiro", "É Preciso Dizer" ou Volta". "Foi muito inspirador porque o álbum estava um inferno, era um álbum mais dramático. Então, foi perfeito.Tive uma primeira experiência em Lisboa super longa, de três meses e, então, tenho uma relação de muito carinho e tenho saudade de várias coisas. Também tenho muitos bons amigos aqui, dos melhores e dos que eu mais gosto", recorda.

"Tenho muita vontade de morar aqui um dia, de poder pelo menos passar temporadas aqui, ficar aqui entre Portugal e Brasil", confessa Silva.

SILVA

Os meses que viveu em Portugal, despertaram o seu interesse para a música nacional. "Ao contrário dos brasileiros, vocês sabem muito sobre música brasileira... até mais que muitos brasileiros - não digo mais do que eu, porque eu sou um chato também e o meu trabalho é ouvir tudo. Mas fico impressionado: as pessoas de cá sabem as canções, cantam tudo, sabem coisas do Caetano [Veloso] dos anos 1990 e isso é muito bom. Mas acho que nós, brasileiros, pecamos um pouco por não conhecer a música portuguesa mais a fundo", defende.

"Quando vim para cá, fiquei muito feliz. Fui a um concerto de fados pela primeira vez e fiquei muito emocionado porque é uma sonoridade diferente. A voz, a forma de interpretar, a instrumentação", sublinha Silva, acrescentando que, antes do concerto no Porto, foi ao Coliseu dos Recreios, em Lisboa, ver Carminho. "Foi incrível, um grande concerto. Muito chique, muito bonito. Ela tem uma voz impecável, a banda é incrível. Fiquei muito impressionado com o jeito como encaixava uma guitarra elétrica, uma coisa mais moderna, naquilo que é tão tradicional", elogia o artista.

Além de Carminho, o músico sublinha que também é fã de António Zambujo, por exemplo. "Tenho muita vontade de fazer algo com ele. Já conversámos, mas ainda não nos conhecemos pessoalmente. Já quase fomos jantar juntos, mas não 'rolou'. Mas quero muito fazer algo com ele", conta.

"E estou com saudades de uma menina que ouvi na primeira vez que vim a Portugal... a Da Chick. Sempre a achei muito cool e muito diferente", acrescenta Silva. "Tenho de pensar numa colaboração com um artista portugês... fazer com calma, gosto de fazer duo sem ser uma coisa muito 'mercadológica'", explica.

SILVA E CARMINHO
SILVA E CARMINHO

E a parceria com um artista português poderá já surgir no próximo álbum do brasileiro. O primeiro single, "Tudo o que eu quero", já se encontra disponível e é a apresentação do próximo disco do cantor. "Já não lançava nada há dois anos, fiquei um período muito árido de composição. Não tinha ideias, fiquei com medo e a pensar: 'ferrou. E agora?'. Mas a torneira abriu de novo e estou a compor muito e a produzir um novo álbum. Tenho muitas músicas e vai ser difícil escolher o que tirar, o que fica de fora do álbum", revela Silva.

Durante o bloqueio criativo, o cantor confessa que ficou com medo. "Tive um medo horroroso e o medo é inimigo da criatividade. Mas estava a trabalhar muito, a fazer muitos concertos e fiquei muito 'executor'... o meu lado de compositor, de criativo, ficou de férias. Fiquei muito operário e fui perdendo essa prática, mesmo. Mas agora voltou em força, graças a Deus", conta o músico ao SAPO Mag.

"Tudo o que eu quero", a nova canção, é "mais ou menos" uma apresentação do que aí vem. "Sempre gostei de apostar numa coisa contemporânea, mais moderna. Depois, tive uma fase que eu comecei a ficar mais 'roots', na época do meu álbum 'Cinco'. Queria fazer rorocksteady, reggae, bossa nova, samba, tudo que era género. Agora estou com mais vontade de fazer coisas um pouco mais moderninhas. Neste momento, estou a encontrar a sonoridade e esta música que lancei é uma transição: tem o meu violão, que usei muito nos últimos anos; tem uma coisa da bossa nova e de samba", explica.

"Agora o que vou fazer no meu próximo álbum... é surpresa. Mas não está preso a esta canção - passeia por ali, mas tem coisas mais para a frente, mais ousadas", revela Silva.

silva

A viagem até Portugal também promete ter uma influência nas novas canções do artista."A viagem inspira-me sempre porque sempre fico mais emotivo. Tenho ansiedade e, ou tomo um comprimido para dormir, ou vejo coisas - quando estou a ver filme choro, fico mais emotivo. Cruzar o Atlântico tem essa coisa, dá-me uma vontade de fazer coisas", confessa.

Depois da passagem pelo Porto e Lisboa, Silva vai concentrar-se no novo álbum. "Volto a estúdio para trabalhar. Há muitas novidades, novas canções. Mas não vou lançar mais nada este ano, não vou enganar ninguém", revela o artista.

"Vou trabalhar muito. Então, o álbum vai sair só no próximo, de certeza. Mas espero que seja que consiga terminar para logo para voltar cá", remata.

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