A ópera “Sansão e Dalila”, de Camille Saint-Saëns, pela Orquestra da Extremadura e pelo Coro de Câmara desta província espanhola, abre esta edição da iniciativa que, pela primeira vez, se alarga a outras artes cénicas como a dança e a ópera, disse o diretor, Jesus Cimarro.

Dirigido por Paco Azorín, trata-se de um espetáculo inclusivo que contará com a participação de mais de 400 pessoas de várias associações espanholas, entre as quais a Secretaría del Pueblo Gitano, afirmou o diretor, na apresentação do certame realizada hoje no Teatro Romano de Lisboa.

Dois espetáculos de dança, “Dionísio” e “Antígona”, pela companhia de Rafael Amargo e pelo bailarino Victor Ullate respetivamente, são outras das estreias da 65.ª edição do festival.

“Velho amigo Cícero”, de Ernesto Caballero, “Périples, príncipe de Tiro”, uma coprodução com o Festival Internacional de Artes Cénicas do Uruguai e do Festival do Mercosur de Argentina, e “Tito Andrónico” de Shakespeare, a encerrar o certame, são outras propostas de teatro.

“Prometheus”, de Ésquilo, “Metamorfose”, de Mary Zimmerman, em cujo elenco pontua a atriz Concha Velasco, e “A corte do faraó” completam as propostas de teatro.

Além dos espetáculos a realizar no Teatro Romano de Mérida, o programa do certame conta ainda com mais 10,11 espetáculos, declarou Jesus Cimarro.

Flamenco, zarzuela, música, conferências, exposições, oficinas e mostras de rua são outras propostas do certame, que decorrerá em vários espaços da cidade de Mérida e nos teatros romanos de Medellín, Cáparra e Regina.

Com um orçamento na ordem dos três milhões de euros, Jesús Cimarro pretende que o festival continue no caminho da internacionalização apesar de constituir “uma referência” a nível europeu e da América Latina, já que é o único direcionado para a cultura clássica greco-latina e greco-romana, referiu

“Essência da cultura das artes cénicas de verão em Espanha”, a edição deste ano do Festival de Mérida não conta com nenhum espetáculo em língua portuguesa, mas com uma mostra fotográfica intitulada “Theatrum Mundi”.

Trata-se de uma exposição resultante de sete anos de trabalho de recuperação do Teatro Romano de Mérida, dirigido pelos arquitetos Jesus Martínez Vergel e Rafael Mesa Hurtado e que está patente no Museu do Teatro Romano de Lisboa, de 01 de julho a 30 de agosto, no âmbito da Mostra Espanha 2019 em Portugal.

Segundo Jesus Cimarro, que dirige o certame há oito edições, o Festival de Mérida vai continuar a apostar na cultura, “uma arma poderosa para romper fronteiras”, bem como a apostar no incremento das relações com Portugal, já que o público português é, juntamente com o alemão e o francês, dos que ocupa melhor posição no ‘ranking’.

A edição de 2018 contou com perto de 1.000 espectadores portugueses, indicou, afirmando esperar que esse número aumente este ano.

“Está cada vez a ir mais gente. Lisboa e Mérida estão muito próximas” e a distância entre as duas cidades percorre-se em duas horas e meia, justificou.

Para a edição deste ano e até ao momento, a organização do certame já vendeu 91.000 ingressos, 200 dos quais a portugueses, acrescentou.

O diretor espera, contudo, contar com 1.200 espectadores portugueses na edição deste ano. De 2012 a 2018, o número de espectadores totais do certame aumentou de 52.000 para 175.000, adiantou, salientando que a iniciativa se tornou “numa referência no sul da Europa e na América Latina”.

Também a conselheira da Cultura e Igualdade da Junta da Extremadura, Leire Iglesias, destacou a importância do festival, alegando que "a melhor forma de entender a arte é a emoção", além de "a cultura ser o melhor meio para se diluir fronteiras entre povos".

"Portugal e a Extremadura espanhola têm uma identidade e cultura próximas", disse, frisando o contributo "enorme" que a cultura tem para a "liberdade, igualdade e inclusão".