"É com profunda tristeza que lamento a morte de José Mário Branco, figura cimeira da música moderna e da cultura portuguesa, O primeiro álbum - Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades (1971) - foi prenúncio da revolução de Abril e de uma obra empenhada e combativa", escreveu António Costa na sua conta pessoal da rede social "Twitter".

Na mesma nota, o primeiro-ministro salientou que a "erudição musical de José Mário Branco acolheu vários géneros, sem hierarquias, e estendeu-se a outros artistas, com quem colaborou, de José Afonso a fadistas como Carlos do Carmo ou Camané".

"Não esqueceremos a sua música, a sua inquietação", acrescentou.

Nascido no Porto, em maio de 1942, José Mário Branco é considerado um dos mais importantes autores e renovadores da música portuguesa, sobretudo antes do 25 Abril de 1974 quando estava exilado em França e no período revolucionário. O seu trabalho estende-se também ao cinema e ao teatro.

Foi fundador do Grupo de Ação Cultural (GAC), fez parte da companhia de teatro A Comuna, fundou o Teatro do Mundo, a União Portuguesa de Artistas e Variedades e colaborou na produção musical para outros artistas, nomeadamente Camané, Amélia Muge ou Samuel.

Estudou História nas universidades de Coimbra e do Porto, foi militante do PCP até ao final da década de 60 do século passado e a ditadura forçou-o ao exílio em França, para onde viajou em 1963, só regressando a Portugal em 1974.

Segundo o site esquerda.net, José Mário Branco teve depois uma intervenção política orientada para o agrupamento das correntes maoístas que viriam a dar origem à UDP, da qual foi fundador e dirigente, tendo sido eleito para a direção da UDP em 1980. Mais tarde, apoiou a fundação do Bloco de Esquerda.

Em 2018, José Mário Branco cumpriu meio século de carreira, tendo editado um duplo álbum com inéditos e raridades, gravados entre 1967 e 1999. A edição sucede à reedição, no ano anterior, de sete álbuns de originais e um ao vivo, de um período que vai de 1971 e 2004.