Esta leitura encenada, que tem como título “Um país pequenino”, decorre no dia 14 de janeiro no âmbito da exposição “Tudo o que tenho no saco: Eça e ‘Os Maias’”, patente na Gulbenkian até 18 de fevereiro, anunciou a Fundação Calouste Gulbenkian.

José Pedro Gomes e Tiago Rodrigues vão ler algumas das “Farpas” com que Eça de Queirós, no célebre folhetim partilhado com Ramalho Ortigão, traçou uma lúcida caricatura da sociedade portuguesa da época.

Essa caricatura queirosiana abarca a gargalhada, que para o autor era “a única crítica” e o “único comentário do mundo político em Portugal”.

“Nós bem o sabemos: a gargalhada nem é um raciocínio, nem um sentimento. Não cria nada. Destrói tudo. Não responde por coisa alguma. E no entanto é o único comentário do mundo político em Portugal. Um Governo decreta? Gargalhada. Reprime? Gargalhada. Cai? Gargalhada”, escreveu Eça de Queirós.

O autor de obras como “A relíquia”, “O crime do padre Amaro” ou “O primo Basílio” considerava que a política, liberal ou opressiva, terá sempre “em redor dela, sobre ela, envolvendo-a como a palpitação de asas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente, vibrante e cruel – a gargalhada”.

“Política querida, sê o que quiseres, toma todas as atitudes, pensa, ensina, discute, oprime – nós riremos”, escreveu Eça de Queirós, a quem a Gulbenkian está a dedicar uma exposição comemorativa dos 130 anos de publicação do romance “Os Maias”.

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