Criado por Gaya de Medeiros, artista brasileira a viver em Portugal, "Atlas da Boca" é uma investigação feita por dois corpos trans - a autora e Ary Zara - sobre a boca "enquanto ponto de interseção das dicotomias identidade/voz, público/privado e erotismo/política", assinala a promotora em comunicado.
A antestreia do espetáculo vai decorrer dias 20 e 21 de novembro, pelas 16h30, no Teatro Nacional D. Maria II, no âmbito do Festival Alkantara.
"Atlas da Boca" é uma proposta que "busca novas narrativas, explorando os verbetes que se abrem da boca para fora e que se lêem da boca para dentro".
"Passei minha infância e parte da adolescência muito calada, sempre no receio de ser lida com voracidade, sem carinho, e ainda hoje sou muito sensível àquilo que me dizem e a forma como escolhem me dizer essas coisas. Vivi incontáveis dias a ler as pessoas e, principalmente, suas “não-palavras”. Uma palavra-gesto, uma palavra-olhar, uma palavra-respiração contém tanta verdade e segredo que passo minha vida a tentar ler os caminhos que o pensamento inscreve no corpo. Acho que o espetáculo se instala aí", assinala Gaya de Medeiros.
Além da autora, os artistas Faustin Linyekula, Ali Chahrour, Sonya Lindfors, Francisco Camacho e Vera Mantero estão entre as 20 propostas da programação deste ano do Alkantara Festival, que começou a 13 de novembro em vários espaços de Lisboa.
Definindo-se como uma "montra da efervescência do circuito internacional das artes performativas", o festival, que conta com a direção artística de Carla Nobre Sousa e David Cabecinha, volta a decorrer na capital, até 28 de novembro, com uma programação de teatro, dança, performance, conversas com artistas, debates e aulas práticas.
Iniciado em 1993 por Mónica Lapa, na altura com o nome "Danças na Cidade", o Alkantara voltou a ser um festival anual em 2020, com o objetivo de manter uma identidade internacional, com abertura à experimentação e cultura contemporânea.
Comentários