O concerto “À nossa terra” está integrado no Festival de Ano Novo (FAN), promovido pelo Teatro de Vila Real.

“Sexta-feira as pessoas vão realmente perceber que em Trás-os-Montes se faz boa música, há grandes músicos e há grandes pessoas a pensarem grandes projetos”, afirmou hoje à agência Lusa Adriana Castanheira, de 26 anos e professora no Conservatório Regional de Música de Vila Real.

Começou o seu percurso na Banda Filarmónica de São Mamede de Ribatua, no concelho de Alijó, toca oboé e abraçou, agora, o novo projeto da Banda Sinfónica Transmontana.

Diogo Taveira tem 27 anos, é um clarinetista natural de Vila Real e um dos impulsionadores da iniciativa.

À Lusa explicou que o objetivo foi juntar músicos profissionais e outros ainda estudantes, tendo todos em comum o serem naturais da região.

O concerto de estreia, na sexta-feira, conta com a participação de 52 instrumentistas, um coro de 11 cantoras profissionais e a participação do solista Nuno Pinto.

Alguns dos participantes trabalham em Trás-os-Montes e outros viajam de outras cidades do país, bem como de países europeus como Espanha, Holanda ou Alemanha.

“Há uma grande entrega e investimento pessoal por parte de cada um dos envolvidos”, frisou Diogo Taveira.

Valter Palma, 33 anos, é o maestro do projeto e referiu que o concerto de estreia “À nossa terra” nasceu com o propósito de os músicos comungarem do “espírito de reunião” e de estarem todos envolvidos “num projeto em comum, com músicos, maestro e solista da terra”.

“E para, de alguma forma, darmos música às pessoas de Trás-os-Montes”, acrescentou.

O concerto terá a duração de cerca de uma hora e o ensaio geral realiza-se esta noite.

José Pinto, 26 anos, é natural de Vila Real e trabalha em Madrid, colaborando frequentemente com a orquestra de Santa Cecília.

Depois do percurso em Vila Real e no Porto, foi para Espanha continuar os estudos e disse que “foi muito fácil aceitar participar na Banda Sinfónica Transmontana porque é um regresso a casa”.

O clarinetista José Viana, de 26 anos e que começou o seu percurso na Banda de Música de Mateus, em Vila Real, está também em Espanha a trabalhar como freelancer.

“É sempre muito bom poder regressar a casa. Foi aqui que fizemos a nossa formação e é gratificante voltar e poder tocar para os nossos familiares e amigos”, sublinhou.

O músico disse ainda que, em Portugal, o mercado “é complicado” e “existe pouco investimento na parte da cultura” e, por isso, os músicos são “quase obrigados a procurarem oportunidades em outros países”.

“Estou em Espanha, mas não existe nenhuma fronteira, o que quero é tocar”, afirmou.

Diogo Taveira disse ainda que o projeto vai ter outras valências, nomeadamente na área da formação, da recolha do cancioneiro e tradições musicais e na produção.

“É nossa vontade criar pequenos ensembles de música de câmara que possam dar resposta a outros tipos de auditório e de públicos que nos permitam desenvolver um programa ainda mais diversificado”, frisou.

A Banda Sinfónica Transmontana ganhou em junho o prémio Douro Criativo na categoria de música e artes performativas, um reconhecimento que ajudou a impulsionar o projeto.

A edição 2019 do Festival de Ano Novo, do Teatro de Vila Real, arrancou no dia 05 e decorre até 27 de janeiro, propondo nove espetáculos com músicos locais e artistas internacionais.

Este festival celebra a música de tradição ou inspiração clássica.

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